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Armas químicas: uma ameaça real

*Por Camilla Gomes Colasso

 

Diante do agravamento da crise dos refugiados na Europa e dos ataques do Estado Islâmico, um tema preocupante vem ganhando cada vez mais destaque na imprensa mundial: as armas químicas.

 

Este assunto pode parecer distante da nossa realidade no dia a dia, mas o uso de armas químicas talvez seja tão antigo quanto a história das guerras na humanidade e é relatado há mais de dois milênios. Em 600 a.C., data do primeiro registro do uso destas substâncias, os atenienses envenenaram as águas de um rio com raiz de Heléboro com o objetivo de intoxicar seus inimigos. Já durante a Primeira Guerra Mundial ocorreu o pico de uso destes agentes, quando o exército alemão aplicou gás cloro em ataques contra seus rivais. Por suas propriedades tóxicas, desde então, agentes químicos são constantemente empregados com propósitos bélicos e morticínio em guerras e atos terroristas no mundo inteiro.

 

Em 6 de janeiro deste ano, o chefe do desarmamento da ONU (Organização das Nações Unidas), Kim Won-soo, afirmou ao Conselho de Segurança que o fiscalizador de armas químicas da organização relatou a possibilidade de o gás letal sarin ter sido usado em um suposto ataque químico na Síria. No ano passado também tivemos alguns acontecimentos registrados pela imprensa. Em 14 de agosto, curdos no norte do Iraque foram atacados com foguetes cheios de agentes químicos, os quais, segundo as informações que ainda estão sendo apuradas, foram bombas de gás cloro lançadas pelo Estado Islâmico (EI). No dia 12 de março do mesmo ano também foram publicadas notícias sobre um possível uso de gás cloro contra a população curda. Estes prováveis ataques com armas químicas têm sido cada vez mais frequentes e preocupantes e o governo norte-americano está praticamente convicto que o grupo EI está produzindo e utilizando armas químicas, entre elas, gás mostarda e gás cloro.

 

Como gerente da Intertox e especialista na área de segurança química e toxicologia, acho lastimável o uso consciente de produtos tóxicos contra seres humanos realizados por grupos desprovidos de responsabilidade e senso humanitário. A toxicologia se recusa a viver com este estigma, já que é uma ciência para a predição da toxicidade de produtos químicos para fins de gerenciamento do risco toxicológico e não dever ser confundida como uma alternativa que cause dor e sofrimento.

 

As armas químicas de guerra são definidas como qualquer substância química cujas propriedades tóxicas são utilizadas com a finalidade de matar, ferir ou incapacitar algum inimigo na guerra ou associado a operações militares. Estes agentes químicos são classificados de acordo com o mecanismo de ação tóxica para os seres humanos, como agentes neurotóxicos, agentes vesicantes e levisita, agentes sanguíneos, agentes sufocantes e toxinas. Alguns destes são tão devastadores quanto outras armas poderosas, já que muitos, além de provocarem lesões imediatas, também estão associados com morbidades e problemas psicológicos a longo prazo.

 

Pensando nestes graves problemas e com o objetivo de proibir o desenvolvimento, produção, estocagem e emprego destas substâncias, assim como o uso de gases tóxicos e métodos biológicos nas guerras, em 1997 foi assinada a Convenção para a Proibição de Armas Químicas (CPAQ), que criou a Organização para a Proibição de Armas Químicas (Organisation for the Prohibition of Chemical Weapons – OPCW) e contou com 189 países signatários, inclusive o Brasil. No entanto, atualmente há um intenso esforço de vários países para produzir armas químicas em escala mundial, desrespeitando os protocolos formais de combate às mesmas.

 

De acordo com a CIA – Agência Central de Inteligência dos EUA, mais de 20 países estão desenvolvendo ou já possuem armas químicas de guerra, entre eles China, Coréia do Norte, Japão, Rússia, França, Inglaterra, Cuba, Estados Unidos, Índia, Irã, Iraque, Paquistão, Síria e Egito. Por não exigirem uma infraestrutura de produção muito sofisticada, os agentes químicos e biológicos letais são meios bélicos acessíveis aos países em desenvolvimento. Tais compostos, como o gás cloro que tem aplicação na indústria, são de fácil obtenção e custo baixo se comparado as armas convencionais e nuclear.

 

O cenário é preocupante e indica que o desenvolvimento, produção e o uso de armas químicas é uma realidade. A facilidade de serem empregadas e o grande número de vítimas que causam são alguns dos motivos que fazem grupos terroristas utilizarem este tipo de armamento. A melhor maneira de combater a prática, que é extremamente condenável sob os aspectos filosófico, religioso, político, humano, moral e ético, por sua periculosidade, pelos efeitos generalizados sobre o meio ambiente e pela facilidade de fabricação, é dar a devida atenção ao assunto, lidando com ele como uma ameaça presente a todo o mundo.

 

*Camilla Gomes Colasso é farmacêutica bioquímica e mestre em Toxicologia e Análises Toxicológicas pela USP. Atua como gerente da empresa Intertox e é especialista em armas e guerras químicas, além de ministrar cursos e palestras na área de segurança química e toxicológica. É autora do livro ‘Ácido Fluorídrico e Fluoreto: aspectos toxicológicos’ e também lança nesta semana o livro ‘Armas químicas: o mau uso da toxicologia’, primeira publicação brasileira sobre o tema.

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Afeganistão inicia uso de Super Tucanos

Four Super Tucanos delivered to Afghan air force

A aviação de ataque do Afeganistão começa a usar os A-29 Super Tucano, da Embraer, provavelmente na próxima semana – cerca de um mês antes do previsto, nas missões de destruição de posições dos extremistas do Taleban e da Al-Qaeda abrigados sob a cadeia de montanhas que ocupa a maior parte do país.

Os primeiros quatro A-29 chegaram à capital, Cabul, no dia 15 de janeiro. Foram recebidos pelo ministro da Defesa, Mohamed Masoon, e incorporados à Força Aérea afegã, planejada para ter 150 aeronaves, que está sendo formada com recursos americanos.

A presença dos Super Tucano na guerra de 13 anos, que estaria agregando ao conflito os radicais do Estado Islâmico, é o resultado de uma complexa manobra diplomática. O governo dos EUA comprou o lote de 20 unidades – da Embraer Defesa e Segurança e de sua parceira local, a Sierra Nevada -, há três anos. O Pentágono é o contratante e está pagando US$ 428 milhões pelo pacote que abrange peças de reposição, treinamento técnico e componentes.

Até novembro, a aviação afegã terá mais um esquadrão, somando oito Super Tucanos. No primeiro semestre de 2017, outros quatro vão entrar em ação. A frota será completada ao longo de 2018. O plano não termina aí. O Pentágono quer negociar uma segunda encomenda de 20 a 30 aviões, elevando o compromisso ao patamar de US$ 850 milhões – a preço de hoje e sem alterações na configuração.

Os aviões entregues em janeiro vão à luta com avançados sistemas de armas da classe JDAMS, para cumprir missões de bombardeio de precisão, segundo o coronel Mike Lawhorn, porta voz do programa Apoio Decisivo, de cooperação entre a Organização do Tratado do Atlântico Norte e o Afeganistão.

Cada kit conta com um dispositivo de direção laser e mais os sensores para lançamento das novas SDB (Small Diameter Bombs), bombas inteligentes, guiadas, mais leves sem perda do poder de destruição, com alcance na faixa de 50 km e sobretudo com maior precisão em relação ao alvo definido.

O contrato comercial segue as regras da política industrial de Defesa dos EUA e prevê a associação do grupo brasileiro com uma empresa americana. Fixa também que a produção final das aeronaves deve ser feita em território americano.

Para atender a essa exigência, a Embraer mantém uma fábrica em Jacksonville, a maior cidade da Flórida, com 800 mil habitantes. Um pequeno time de brasileiros trabalha no local. A capacidade e o número total de funcionários são informações mantidas sob sigilo de segurança.

A estrutura básica das aeronaves, como fuselagem e asas, é feita no Brasil, nas linhas da Embraer Defesa em Botucatu e Gavião Peixoto – a cadeia de fornecedores do programa envolve 135 companhias nacionais.

As grandes partes são enviadas para a Flórida, onde é executada a integração final. Concluído o processo, cada um dos A-29 é testado e depois transferido à Sierra Nevada, responsável pela entrega à Força Aérea dos EUA. Os turboélices são admitidos no centro da USAF em Moody, no estado da Geórgia.

“A entrega dos primeiros quatro A-29 demonstra a nossa capacidade de cumprir os termos do contrato”, destaca Jackson Schneider, presidente da Embraer Defesa. Para o executivo, “temos o melhor produto do mercado para apoio tático leve, condição demonstrada pelo fato de ter sido selecionado por 13 países clientes”.

Guerreiros

Os primeiros oito pilotos afegãos qualificados em Moody levaram os turboélice para Cabul voando em dupla com alguns dos instrutores americanos do 81º Esquadrão de Caça e vão entrar em combate nos próximos dias, de acordo com o ministro da Defesa, Mohamed Masoom. Até 2018, ao menos 30 aviadores e 150 mecânicos terão passado pelos cursos nos EUA. O ministro declarou que a primeira turma será envolvida nos próximos dias em ações de ataque nas províncias de Nangarhar, no leste, e Helmand, no sul.

É uma tarefa complicada. Os rebeldes constroem refúgios subterrâneos sob grossas camadas de rocha de até 10 metros nas encostas das montanhas escarpadas e com picos muito altos, na cota de 5 mil metros. O acesso é difícil. A tarefa dos Super Tucanos será a lançar as cargas explosivas nos pontos de acesso a essas cavernas blindadas, quase sempre localizadas em terreno acidentado.

Na opinião de um ex-líder de grupo aéreo da aviação da Colômbia, – força que emprega largamente o A-29 em ações semelhantes sobre a guerrilha das Farc – “a aeronave aumenta a eficiência das bombas inteligentes, reduzindo o índice de erro ao patamar de poucos metros”.

FONTE: estadao.com, via Poder Aéreo

Israel conclui exercício militar que simulou guerra em várias frentes

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As forças Armadas de Israel concluíram nesta quarta-feira uma série de exercícios militares na região da Galileia para se preparar para um possível conflito armado em várias frentes que incluiria suas fronteiras com a Síria e o Líbano.

“Este exercício demonstra a capacidade do exército de aplicar planos operacionais em todos os setores em um confronto com o Hezbollah e a Jihad Islâmica Palestina tanto na Síria como no Líbano”, disse em comunicado o general Aviv Kojabi, comandante da Região Militar Norte.

O exercício, que durou duas semanas, “simulou vastas manobras, uma capacidade de fogo substancial e ataque com grande eficácia a milhares de alvos em todas as zonas de combate, incluindo áreas residenciais exploradas pelo inimigo” para suas atividades militares”, afirmou.

Participaram das manobras forças terrestres, aéreas e navais, segundo o comunicado oficial do exército.

“Pela primeira vez, as forças simularam um conflito ao mesmo tempo nas fronteiras com a Síria e o Líbano. Este exercício teve como foco preparar as tropas para um conflito de longa duração em múltiplas frentes”, conclui a nota.

Israel, que até agora tenta permanecer à margem da guerra civil na vizinha Síria, teme ser envolvido por alguma das milícias armadas que combatem no país árabe, uma circunstância que poderia levar, conforme advertiram comandantes militares há vários anos, a uma guerra regional.

O pior cenário contemplado pelos serviços de inteligência israelenses é o de uma situação de disparos de milhares de mísseis por dia contra centros urbanos em Israel ao mesmo tempo efetuados na Síria, no Líbano e na Faixa de Gaza, uma situação que jamais ocorreu.

 Terra

Novo comboio de ajuda humanitária chega a cidade síria sitiada

Um novo comboio de ajuda humanitária chegou nesta quinta-feira (14) à cidade síria de Madaya, onde os habitantes sofrem com a fome após meses de cerco das forças governamentais.

Dezenas de caminhões carregados com alimentos e medicamentos abandonaram pela manhã Damasco rumo a Madaya, uma cidade de 40 mil habitantes situada 40 km a oeste da capital.

A ONU e as potências ocidentais criticaram com firmeza o ataque das forças do regime de Bashar al-Assad nesta localidade, onde mais de 20 pessoas morreram de fome, segundo organizações humanitárias.

A ONU também pediu a evacuação de cerca de 400 habitantes de Madya que precisam de cuidados médicos de forma imediata.

Um porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICR), Pawel Krzysiek, anunciou que um comboio de 44 caminhões com ajuda humanitária se dirigia de Damasco a Madaya.

“A prioridade é a farinha de trigo e os produtos de limpeza”, disse.

O comboio também transportava equipes médicas, incluindo um nutricionista do CICV que prestará atendimento aos habitantes, acrescentou.

Imagem chocante mostra jovem desnutrido por falta de alimentos em Madaya, na Síria (Foto: Local Revolutionary Council in Madaya/AP)Imagem chocante mostra jovem desnutrido por falta de alimentos em Madaya, na Síria (Foto: Local Revolutionary Council in Madaya/AP)

Enquanto isso, outro comboio de 17 caminhões partiu de Damasco para levar ajuda aos 20 mil habitantes das localidades xiitas de Fua e Kafraya, sitiadas pelos rebeldes na província de Idleb (noroeste).

O governo já permitiu na segunda-feira que dezenas de caminhões levassem ajuda humanitária a estas três cidades, pela primeira vez em quatro meses.

Entregas nos próximos dias
O Escritório para a Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU afirmou que haverá uma terceira entrega de ajuda nos próximos dias.

Caminhões com o logotipo do Crescente Vermelho sírio avançavam enfileirados em uma estrada dos arredores de Damasco, disse um fotógrafo da AFP.

Pequenos veículos com a bandeira azul da Agência da ONU para os Refugiados (Acnur) lideravam o comboio.

“Ficamos animados em ter conseguido alcançar estas cidades onde milhares de pessoas estão presas há muito tempo”, declarou o coordenador de assuntos humanitários da ONU na Síria, Yacub el Hillo.

Ele reconheceu que as entregas em Fua e Kafraya podem ser adiadas por culpa das complexas medidas de segurança impostas na zona, mas disse esperar que as operações possam prosseguir.

Menino aparece em imagens de vídeo feito nesta terça-feira (5) em Madaya, na Síria, onde civis estão morrendo or falta de mediamentos e comida (Foto: REUTERS)
Menino aparece em imagens de vídeo feito na última terça-feira (5) em Madaya, na Síria, onde civis estão morrendo or falta de mediamentos e comida (Foto: REUTERS)

“A verdadeira solução para esta situação, para os apuros da população sitiada nestas localidades é que o cerco seja levantado”, considerou El Hillo.

Segundo ele, a Organização Mundial da Saúde (OMS) iniciou negociações diretas com as autoridades sírias para conseguir uma retirada segura dos habitantes de Madaya, que precisam de atendimento médico urgente.

“Encontramos casos muito urgentes em Madaya que precisam ser transferidos rapidamente ao hospital. Esperamos que isto ocorra nos próximos dias”, disse El Hillo.

Cuidados médicos necessários
Uma menina de oito anos que precisava de atendimento médico especializado pôde sair de Madaya e se dirigir a Damasco junto aos seus pais, onde está recebendo tratamento, explicou El Hillo.

O enviado da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, afirmou na quarta-feira que as potências mundiais tentarão alcançar uma ação imediata para prestar ajuda às zonas sitiadas na Síria, após uma reunião em Genebra com os embaixadores dos membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas: Reino Unido, China, França, Rússia e Estados Unidos.

Fua, Kafraya, Madaya e o reduto rebelde de Zabadani eram alvos de um cessar-fogo assinado pelos rebeldes e pelo regime em setembro.

O governo de Assad e a ONU defenderam este tipo de tréguas locais como uma maneira de colocar fim aos combates na Síria, onde mais de 260 mil pessoas morreram desde 2011.

Uma nova rodada de negociações de paz deve ser realizada em 25 de janeiro em Genebra, apesar do temor de que as tensões diplomáticas entre Irã e Arábia Saudita, que apoiam grupos distintos na guerra, possam prejudicar o processo.

 

Fonte: G1

Barcos da marinha dos EUA são detidos no Irã, diz Pentágono

O Pentógono afirmou nesta terça-feira (12) que perdeu o contato com dois barcos no Golfo Pérsico, e que eles foram detidos no Irã. A tripulação está detida no país, mas os Estados Unidos receberam garantia do Irã de que os marinheiros seriam libertados prontamente e em segurança, disse o Pentágono.

Segundo uma autoridade de Defesa citada pela agência Reuters, 10 tripulantes – nove homens e uma mulher – estão detidos no Irã.

O porta-voz do órgão, Peter Cook, disse à Associated Press que os barcos navegavam entre o Kuwait e o Bahrain, quando os EUA perderam o contato.

“Estamos em contato com o Irã e recebemos garantias de que a tripulação e as embarcações serão libertadas prontamente”, disse Cook.

O secretário de Estado John Kerry ligou para o ministro das Relações Exteriores do Irã, Mohammed Javad Zarif, imediatamente após ficar sabendo sobre o incidente, segundo uma autoridade norte-americana disse à Associated Press.

A Casa Branca afirmou que está ciente da situação e está trabalhando para resolvê-la, disse o conselheiro de segurança nacional, Ben Rhodes.

Fonte: G1

Protestos após execução atingem embaixada da Arábia Saudita em Teerã

Após ser invadido e vandalizado por manifestantes, prédio da embaixada da Arábia Saudita em Teerã, no Irã, é visto com fumaça saindo das janelas (Foto: Atta Kenare / AFP)Após ser invadido e vandalizado por manifestantes, prédio da embaixada da Arábia Saudita em Teerã, no Irã, é visto com fumaça saindo das janelas (Foto: Atta Kenare / AFP)

Manifestantes invadiram a embaixada da Arábia Saudita em Teerã, no Irã, em protesto contra a execução de um líder xiita e outras 46 pessoas acusadas de envolvimento com terrorismo.

Segundo a agência de notícias AFP, os manifestantes quebraram móveis e colocaram fogo em alguns pontos da embaixada, mas a polícia conseguiu retirar os manifestantes do prédio após a invasão.

Execução
A Arábia Saudita executou neste sábado (2) 47 pessoas condenadas por “terrorismo”, incluindo jihadistas sunitas da Al-Qaeda e o clérigo xiita Nimr Baqir al-Nimr, uma importante figura do movimento de contestação contra o regime, anunciou o ministério do Interior. A execução causou protestos entre os árabes xiitas.

O Irã, potência xiita cujas relações com a Arábia Saudita são tensas, imediatamente reagiu às execuções, prometendo que Riad pagará “um preço alto” pela morte do xeque Nimr al-Nimr, segundo a France Presse.

“O governo saudita apoia movimentos terroristas e extremistas, e ao mesmo tempo utiliza a linguagem da repressão e a pena de morte contra seus opositores internos (…) pagará um preço alto por essas políticas”, declarou o porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Jaber Ansari.

O país também convocou um diplomata saudita para protestar contra a morte do clérigo, de acordo com a Reuters.

O grupo xiita libanês Hezbollah condenou a execução em declarações citadas pela TV oficial do Hezbollah al-Manar e pela Al Mayadeen TV. A “verdadeira razão” para a execução foi “que o xeque Nimr exigiu os direitos dissipados de um povo oprimido”, disse o grupo em um comunicado, aparentemente se referindo à minoria xiita da Arábia Saudita, de acordo com a Reuters.

O sobrinho do xeque, Ali al-Nimr, menor de idade no momento da sua detenção, não está entre os executados, que geralmente são decapitados com sabre.

Os condenados – 45 sauditas, um egípcio, um chadiano – foram executados em doze cidades do reino, indicou o ministério do Interior em um comunicado oficial.

Eles haviam sido condenados, segundo as autoridades, por diferentes casos, incluindo por ter aderido a ideologia radical “takfiri” (termo geralmente utilizado para se referir a grupos radicais sunitas), por juntar-se a “organizações terroristas” ou ter participado de “conspiração criminosa”.

O xeque Nimr al-Nimr, de 56 anos, crítico ferrenho da dinastia sunita Al-Saud, foi um dos líderes de um movimento de contestação que eclodiu em 2011 no leste da Arábia Saudita, cuja população é majoritariamente xiita.

Esta comunidade, que está concentrada na Província Oriental, queixa-se de ser marginalizada neste país predominantemente sunita.

A execução do xeque poderia provocar fortes reações nesta região, segundo especialistas.

Para o irmão do líder religioso, Mohammed al-Nimr, “esta ação provocará a cólera dos jovens” xiitas na Arábia Saudita. “Espero que aja um movimento de contestação pacífico”, acrescentou.

O xeque Nimr tinha sido condenado à morte em outubro de 2014 por “motim”, “desobediência ao soberano” e “porte de armas” por um tribunal de Riad especializado em casos de terrorismo.

Manifestantes em frente à embaixada da Arábia Saudita em Teerã, no Irã (Foto: Atta Kenare / AFP)Manifestantes em frente à embaixada da Arábia Saudita em Teerã, no Irã (Foto: Atta Kenare / AFP)
Manifestantes em frente à embaixada da Arábia Saudita em Teerã, no Irã,  (Foto: Atta Kenare / AFP )Manifestantes em frente à embaixada da Arábia Saudita em Teerã, no Irã, (Foto: Atta Kenare / AFP )
Fonte: G1

Arábia Saudita executa líder xiita acusado de terrorismo

Clérigo xiita Nimr Baqir al-Nimr, uma importante figura do movimento de contestação contra o regime saudita, em foto de arquivo (Foto: Saudi Press Agency/ Reuters)

Clérigo xiita Nimr Baqir al-Nimr, uma importante
figura do movimento de contestação contra o regime
saudita, em foto de arquivo (Foto ao lado: Saudi Press
Agency/ Reuters)

 

A Arábia Saudita executou neste sábado (2) 47 pessoas condenadas por “terrorismo”, incluindo jihadistas sunitas da Al-Qaeda e o clérigo xiita Nimr Baqir al-Nimr, uma importante figura do movimento de contestação contra o regime, anunciou o ministério do Interior.

 

O Irã, potência xiita cujas relações com a Arábia Saudita são tensas, imediatamente reagiu às execuções, prometendo que Riad pagará “um preço alto” pela morte do xeque Nimr al-Nimr, segundo a France Presse.

“O governo saudita apoia movimentos terroristas e extremistas, e ao mesmo tempo utiliza a linguagem da repressão e a pena de morte contra seus opositores internos (…) pagará um preço alto por essas políticas”, declarou o porta-voz do ministério iraniano das Relações Exteriores, Jaber Ansari.

O país também convocou um diplomata saudita para protestar contra a morte do clérigo, de acordo com a Reuters.

O grupo xiita libanês Hezbollah condenou a execução em declarações citadas pela TV oficial do Hezbollah al-Manar e pela Al Mayadeen TV. A “verdadeira razão” para a execução foi “que o xeique Nimr exigiu os direitos dissipados de um povo oprimido”, disse o grupo em um comunicado, aparentemente se referindo à minoria xiita da Arábia Saudita, de acordo com a Reuters.

O sobrinho do xeque, Ali al-Nimr, menor de idade no momento da sua detenção, não está entre os executados, que geralmente são decapitados com sabre.

Os condenados – 45 sauditas, um egípcio, um chadiano – foram executados em doze cidades do reino, indicou o ministério do Interior em um comunicado oficial.

Eles haviam sido condenados, segundo as autoridades, por diferentes casos, incluindo por ter aderido a ideologia radical “takfiri” (termo geralmente utilizado para se referir a grupos radicais sunitas), por juntar-se a “organizações terroristas” ou ter participado de “conspiração criminosa”.

O xeque Nimr al-Nimr, de 56 anos, crítico ferrenho da dinastia sunita Al-Saud, foi um dos líderes de um movimento de contestação que eclodiu em 2011 no leste da Arábia Saudita, cuja população é majoritariamente xiita.

Esta comunidade, que está concentrada na Província Oriental, queixa-se de ser marginalizada neste país predominantemente sunita.

A execução do xeque poderia provocar fortes reações nesta região, segundo especialistas.

Para o irmão do líder religioso, Mohammed al-Nimr, “esta ação provocará a cólera dos jovens” xiitas na Arábia Saudita. “Espero que aja um movimento de contestação pacífico”, acrescentou.

Por sua vez, o ramo estudantil da milícia Bassidji, ligada aos Guardiães da Revolução, a unidade de elite das forças armadas iranianas, convocou uma manifestação no domingo em frente à embaixada saudita em Teerã.

O xeque Nimr tinha sido condenado à morte em outubro de 2014 por “motim”, “desobediência ao soberano” e “porte de armas” por um tribunal de Riad especializado em casos de terrorismo.

 

Fonte: G1

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