MECTRON – Avança o Desenvolvimento do Torpedo Brasileiro

Arte do projeto do Torpedo Nacional Pesado em desenvolvimento pela MECTRON em parceria com a alemã ATLAS Eletronik. ARTE – DefesaNet

A Mectron, Empresa Estratégica de Defesa (EED) brasileira, controlada pelaOdebrecht Defesa e Tecnologia (ODT),concretizou um passo importante no seu posicionamento estratégico na área de defesa: iniciou neste ano o desenvolvimento do primeiro torpedo brasileiro com o programa do Torpedo Pesado Nacional em escala reduzida (TPNer).

O programa coloca a empresa de São José dos Campos em um seleto e restrito grupo, tornando-a a única empresa desenvolvedora de torpedos das Américas fora dos Estados Unidos e exclusiva no hemisfério sul.

O TPNer é parte dos objetivos estratégicos de longo prazo da Marinha do Brasil que a mobilizam para assegurar a proteção da Amazônia Azul, como são conhecidas as águas jurisdicionais brasileiras. O torpedo brasileiro é essencial para que o Brasil possa armar com independência e livre de fatores externos os futuros submarinos doPROSUB – Programa de Desenvolvimento de Submarinos. Os submarinos estão sendo construídos pela ICN – Itaguaí Construções Navais, sociedade da ODT com a DCNS francesa.

Apresentado na LAAD 2015 o mock up do MAN-SUP , Míssil Antinavio de Superfície. Foto – DefesaNet

Para viabilizar o desenvolvimento do torpedo em escala reduzida, a Mectron firmou uma parceria com a Atlas Elektronik, empresa alemã com mais de um século de história e uma das líderes mundiais no desenvolvimento de veículos e armamentos subaquáticos (underwater weapons). Desde o início de 2015, uma equipe altamente qualificada de engenheiros da Mectronrealiza na Alemanha a primeira fase do programa, como explica Rodrigo Carnaúba, Diretor de Sistemas e Armas Navais da ODT/Mectron:

“Para esta primeira fase, na qual estão sendo definidas as especificações do produto e as soluções sistêmicas a serem adotadas ao longo de todo o projeto, enviamos à Alemanha uma equipe de engenheiros “seniors”, com formação acadêmica de excelência e, o mais importante, profissionais com ampla experiência acumulada nos outros programas de armamentos inteligentes que a Mectron tem desenvolvido ao longo de seus 25 anos de história servindo as Forças Armadas brasileiras. Parcerias tecnológicas internacionais deste tipo já fazem parte da nossa estratégia e do nosso sistema de trabalho há anos”.

O Dr. Francisco Amorim III,Coordenador Técnico do TPNer e líder da equipe da Mectron mobilizada na Alemanha, trabalhou em programas de desenvolvimento de equipamentos espaciais, de sistemas aviônicos e na integração do míssil ar-superfície antirradiação MAR-1 em aeronaves que o utilizarão. Designado pela direção da Mectronpara o projeto TPNer, Amorim ressalta pontos relevantes para o sucesso do empreendimento:

O nosso projeto está sendo desenvolvido com a mais moderna tecnologia de torpedos disponível no mundo. O modelo de transferência de tecnologia adotado consiste num desenvolvimento conjunto, com especialistas brasileiros e alemães compondo um único time, trabalhando lado a lado. Adicionalmente, a eficácia da transferência de tecnologia somente se viabiliza pela nossa condição de agregar pessoas altamente capacitadas e com conhecimentos no desenvolvimento de armamentos inteligentes. Para tanto, a equipe foi cautelosamente selecionada para assegurar a absorção de tecnologias específicas de veículos subaquáticos.Mais um fator importante para garantir o sucesso desta transferência é o nosso propósito de construir, no tempo correto, um produto adequado tanto às necessidades da Marinha do Brasil como ao mercado internacional.”

Com um histórico fortemente associado ao desenvolvimento de armamentos inteligentes nacionais, mais especificamente mísseis e produtos/serviços a eles associados, a Mectron- empresa incorporada à Odebrecht em 2011 – vem, desde então, expandindo seu portfólio de produtos e serviços em outros segmentos de fundamental importância para as Forças Armadas brasileiras. Um deles é a área de Comunicações, com o projeto do Link BR2, sistema de comunicação por enlace de dados (data link) militar, para a FAB, e o desenvolvimento de um RDS – Rádio Definido por Software nacional, para o Exército Brasileiro.

Na área de mísseis, um dos novos programas já em estágio mais avançado de desenvolvimento é o MAN-SUP, um míssil antinavio de superfície, em desenvolvimento também para a Marinha do Brasil. Rodrigo Carnaúba comenta sobre estes novos programas, suas comunalidades e diferenças:

“O desenvolvimento de armamentos inteligentes sempre foi o grande “expertise” da Mectron, mais especificamente na área de sensores, eletrônica embarcada, e guiamento e controle. Porém, sempre trabalhamos com produtos guiados por infravermelho, radiofrequência ou laser, e com lançamentos a partir de aeronaves ou de superfície. Para o caso de um torpedo, armamento inteligente de aplicação submarina, temos que aprimorar nossos conhecimentos, avançando-os para os campos da acústica submarina e hidrodinâmica. Porém, começar do zero e de maneira independente resultaria em custos elevados e extenso prazo de desenvolvimento e, nesse sentido, a parceria com a Atlas encurtará distâncias. A participação da Mectron nestes projetos nos abre portas no contexto internacional e eleva nosso posicionamento estratégico no setor de defesa”.

Recentemente, a Odebrecht Defesa e Tecnologia (ODT) anunciou o início das negociações para busca de um parceiro tecnológico e estratégico para a Mectron. A companhia busca um parceiro internacional, mantendo sua certificação de empresa estratégica de defesa (EED). Diante das restrições orçamentárias momentâneas que estão afetando os projetos da área de defesa no Brasil, a ODT, consciente de seu importante papel estratégico-político para o nosso país no campo da defesa e tecnologia, busca um parceiro que contribua com o acesso direto à tecnologia, com uma estrutura de capital robusta e com atuação no mercado global. Com a integração deste novo parceiro tecnológico, a Mectronestará ainda mais preparada para atender as demandas estratégicas do Governo Brasileiro, das Forças Armadas do Brasil, bem como de Clientes internacionais.

Fonte: Defesanet

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Sobre Francisco Santos

Jornalista e Editor.

Publicado em 11/11/2015, em Armas Brasileiras, Brasil, Marinha e marcado como , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. A Mectron, Empresa Estratégica de Defesa (EED) brasileira, controlada pelaOdebrecht Defesa e Tecnologia (ODT),concretizou um passo importante no seu posicionamento estratégico na área de defesa: (CITAÇÃO DA MATÉRIA)

    Quando ouvimos esse nome de Empreiteira Mencionado em tudo que é Empreendimento e Pesquisas; Dá um calafrio na espinha.(HAJA VISTA A RELEVÂNCIA DELA NO “LAVA JATO”)

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  2. Renilson Almeida

    Sugiro artigo sobre as forças armadas do Brasil e suas novas armas.

    Date: Wed, 11 Nov 2015 05:17:46 +0000 To: renilson-almeida@hotmail.com

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  3. eadem@ig.com.br

    Tanto os submarinos quanto os torpedos já têm mais de 165 de existência e uso militar generalizado.

    O Japão por exemplo, só se industrializou a partir de 1850 e em 55 anos depois já fabricava torpedos melhores que os europeus.

    Noventa anos depois dessa industrialização (cerca de 1940), tanto os submarinos quanto os torpedos japoneses – navais e aéreos – já eram, de longe, muito melhores que os dos ocidentais… alemães e americanos incluídos.

    E só agora que nenhuma marinha séria usa torpedos de contato o Brasil acorda do seu longo sono de 165 anos e pesquisa o “desenvolvimento” de torpedos.

    Já quebrei várias cadeiras rindo das babaquices brasileiras e não rirei desta vez pra não quebrar outra.

    Mas que o Brasil é o país de PIADA PRONTA… lá isso é!

    Até os argentinos e principalmente os portugueses estão se rindo da gente… AFFFFFFFFF!

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