Rússia, China e Obama já perceberam que EUA não são mais uma “hiperpotência”

28set2015--o-presidente-dos-estados-unidos-barack-obama-a-dir-e-o-presidente-da-russia-vladimir-putin-a-esq-se-cumprimentam-antes-de-reuniao-na-assembleia-geral-das-nacoes-unidas-na-sede

Toda iniciativa de Vladimir Putin suscita, em geral, dois tipos de reação no Ocidente. Com admiração, as pessoas se surpreendem diante do grande estrategista do Kremlin, um gênio no cenário internacional. Com consternação e um tanto de condescendência, as pessoas se questionam quanto à passividade de Barack Obama, um receoso num mundo de brutos.

Na Crimeia, em 2014, ou este ano, na Síria, todas as vezes o judoca levou vantagem sobre o jogador de basquete. Como o presidente chinês, Xi Jinping, também tem demonstrado seu poder sobre Washington, daí se conclui a inevitável queda do império americano nesse início de século 21. Mas não é tão simples assim.

As placas tectônicas do poder estratégico estão se movendo, certamente. O mundo parece a cada dia um pouco menos com aquele logo após a Guerra Fria. Nunca essa verdade pareceu tão evidente como nos últimos tempos.

Na política externa, a China e a Rússia têm um objetivo central: contestar a preponderância da liderança americana sobre as questões do mundo. A guerra é ideológica e estratégica. Moscou e Pequim têm marcado pontos em campo, física e politicamente, unidos em uma mesma vontade: contestar a legitimidade que é atribuída aos Estados Unidos como “xerife do mundo”, mesmo sem querer.

Poder quase prometeico

Com sua máquina militar renovada a grandes custos – o orçamento da Defesa representaria mais de 4% do PIB – , a Rússia de Putin tem feito uma demonstração de força na Síria. Pela primeira vez desde o fim da URSS e de seus reveses no Afeganistão, Moscou está mobilizando seu Exército longe de suas bases e reconquistando seu status no Oriente Médio, até então domínio exclusivo dos americanos.

Já a China vem se equipando de uma marinha de guerra e mísseis capazes de expulsar a 7ª frota americana do Pacífico. Assim como a Rússia na Ucrânia, na Geórgia e na Síria, a China tem contado com a força e praticado a política do fato consumado. Com a ambição de estender sua soberania para todo o mar do Sul da China, ela vai se apropriando de ilhotas de propriedade controversa e as transforma em minibases militares. Em seu entorno imediato, Pequim pretende mostrar que ela é a potência suserana, e não mais os Estados Unidos.

Os críticos de Obama tendem a lhe imputar uma sequência desastrosa para a credibilidade dos Estados Unidos. Foi porque Obama não cumpriu nenhuma de suas promessas na Síria, sobretudo no verão de 2013, dizem, que Putin teria se sentido livre para anexar a Crimeia em 2014, enquanto o camarada Xi, em 2015, ia militarizando aos poucos o mar da China meridional. Os detratores de Obama gostam de parafrasear Michel Audiard: “Um intelectual sentado não vai tão longe quanto dois brutos que andam.”

O intelectual da Casa Branca é o primeiro presidente americano a levar em conta uma realidade difícil de se admitir em Washington e entre os aliados dos Estados Unidos: a fase imediata ao pós-Guerra Fria terminou.

Foi-se o breve momento de “hiperpotência”, quando a dominação americana era total do ponto de vista militar, estratégico, ideológico, cultural, econômico, tecnológico. Dessa preponderância momentânea, um grande número de americanos e de europeus tiveram a impressão de que os Estados Unidos para todo o sempre teria um poder quase prometeico, o que explica a percepção, e a decepção para alguns, de um Obama relativamente passivo.

Mas o momento da “hiperpotência” não poderia durar. Foi só um parêntese – 1989-2001, por exemplo – inevitavelmente destinado a se fechar no dia em que Pequim estivesse suficientemente segura de sua força econômica para emergir como potência política e estratégica e onde a Rússia voltaria a ser uma potência militar, sua especialidade. Chegamos a esse ponto, sem contar a chegada de outros polos de potência média, como a Turquia, o Irã, o Brasil e a Indonésia.

Nesse mundo, um duradouro caos multipolar, “ninguém deve se espantar que a preponderância americana seja contestada”, escreveu esta semana a revista “The Economist”. Ela já não é mais a mesma.

Ciente do desastre que foram as intervenções no Afeganistão e no Iraque, e consequentemente a par das limitações das capacidades da ferramenta militar em terras estrangeiras complexas, Obama, segundo Roger Cohen no “New York Times”, sentiu “a necessidade de redefinir a política externa americana” em seu contexto atual: “um mundo interconectado”, onde operam novas potências.

O ex-ministro das Relações Exteriores Hubert Védrine complementa: “Obama tem uma visão adaptada de um Estados Unidos que não é mais uma hiperpotência”, ao mesmo tempo em que continua sendo a mais poderosa das grandes potências.

O presidente tirou disso uma “doutrina da contenção”, diz Cohen. Talvez sua política para a Síria tenha sido uma catástrofe. Provavelmente ele está “preocupado demais com os custos da ação e não o suficiente com os da inação”, observa Dennis Ross, um dos conselheiros da diplomacia americana. Richard Haass, outro conselheiro, diz: “Acho que Obama está exagerando os limites e subestimando as possibilidades do poder americano mesmo em um ambiente onde é cada vez mais difícil traduzir poder em influência.”

Mas ocorre que esse ambiente, esse mundo do século 21, esse caos multipolar, não foram inventados por Obama. Seu sucessor, seja ele democrata ou republicano, terá as mesmas restrições e provavelmente observará a mesma cautela. Ela ou ele deverá administrar uma relação com Moscou e Pequim cada vez mais difícil, onde oscilarão possibilidades de confronto, direto ou indireto, e necessidades de cooperação. Amigos ou inimigos? Ambos, dependendo do assunto.

Fonte : Noticias UOL

Sobre Joshua Duarte

Gosto de Filmes e livros de ficção, fantasia (principalmente Héry Póty), história e + ou - Best Seller. Odeio Gente idiota, ignorante, Poser, e que só sabe falar bem ou mal de PT e PSDB, pq pra mim é tudo a mesma bosta. Haaaaaa!!! Quase que eu esqueço, adoro rock e odeio funk, por mim, poderia cair um raio em cima de tudo que for funkeiro.

Publicado em 10/26/2015, em Guerras, Mundo, Oriente Médio e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 6 Comentários.

  1. Chegamos a esse ponto, sem contar a chegada de outros polos de potência média, como a Turquia, o Irã, o Brasil e a Indonésia. (citação da matéria)

    Dessa lista;uma é risível e hilário(i.lá.ri:o Adjetivo. Bras. Gír. Muito engraçado) Ewssa tem como especialidade acumular o suor e sangue do “zé povinho” e depositar na Suíça.

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  2. eadem@ig.com.br

    Há muito tempo que os EUA não são mais nem potência de segunda classe. Se entrassem em guerra com o México os cucarachos retomariam até Washington, que nunca foi deles!

    Os militares americanos de hoje são carreiristas e 99% veados de carteirinha. Só estão na caserna porque o que não falta lá é pinto!

    O presidente dos EUA, o ex-bailarino de bordel Macaco Obanana, é corno, bastardo, bichona e não se reelegerá nem com os votos dos negros, porque lá preto não vota em crioulo porque eles sabem que não presta.

    Até o Brasil venceria se entrasse em guerra contra os EUA.

    Se duvidam, experimentem!

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  3. Marcelodellapoor

    Como eu sempre disse essas mudanças vem de uma doutrina modificações politicas na Rússia, hoje a Rússia fortaleza nunca vista pelo mundo em toda sua historia, sua ideologia patriotismos motivou vários setores que viram que era preciso mudar radicalmente, a ciência russa os ensinos nas escolas, os vários investimentos em varias áreas, comunicação defesa na marinha exercito aeronáutica teve varias frentes estamos vivendo uma nova ordem de fatore que se desdobraram com a politica de Putin, ele escolheu muito bem sua equipe reformou vários setores teve uma ajuda das antigas famílias milionárias recebe milhões em investimento de sociedades secretas não reveladas que supera os gastos da OTAN, hoje a Rússia investe pesado na marinha que ate 2017 terá 987 navios e submarinos de guerra, fora vários portos militares entre eles os submersos me costeiras, o futuro e novas doutrinas fazem do mundo hoje possível ao imaginável contrito mundial, quando ele acontecerá só o futuro dirá.

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  4. William André dos Santos

    Obs…Que Jesus Cristo, esteja no meio de nos. E a paz também ok.

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  5. William André dos Santos

    Obs…Eadem, você continua o mesmo abestado de sempre: Porque todo racista é abestado, você não sabe disso porque foi feito nas coxas ok. O Sr Barack Obama é Presidente dos EUA, e voce eadem não passa de um racista zinho de merda ok. Então enfie à linguá naquele lugar e volte para à escola, pois se você passou por alguma escola você não aprendeu nada seu babaca.

    Curtido por 1 pessoa

  6. Reginaldo Maciel

    as coisas estão ficando difíceis para o tio sã

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