Guia para entender a intervenção da Rússia na Síria

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GUSTAVOCHACRA

Por que a Rússia decidiu intervir militarmente na Síria neste momento?

A Rússia decidiu intervir neste momento para fortalecer o regime de Bashar al Assad, que vinha sofrendo derrotas ao longo deste ano. Vale notar que a Rússia já armava Assad. A diferença agora é o envolvimento militar direto de Moscou no conflito.

Por que a Rússia apoia Assad?

A Rússia apoia Assad por cinco principais motivos. Primeiro, o regime de Damasco há décadas é um aliado leal de Moscou. Em segundo lugar, a Síria é um cliente para a indústria de armamentos russa. Terceiro, a única base militar da Rússia no Mediterrâneo se localiza em Tartus, uma cidade majoritariamente alauíta e bastião sólido de Assad. Quarto, a Rússia é cristã ortodoxa e os cristãos ortodoxos sírios são protegidos por Assad. Quinto, a Rússia teme o radicalismo islâmico sunita pois grupos radicais operam na Tchetchênia e em outros territórios russos

 Quem são os adversários da Rússia na Síria?

Todos os inimigos de Assad. Isso inclui não apenas o ISIS, também conhecido como Grupo Estado Islâmico ou Daesh, mas também outras organizações rebeldes ultra extremistas, como o Jaysh al Fatah, Jaysh al Islam e Frente Nusrah (Al Qaeda na Síria). Por este motivo, os russos bombardearam alguns alvos ligados a estas organizações rebeldes e não do ISIS

Mas não há também motivações de Putin no âmbito global?

Sim, a Rússia quer fortalecer sua imagem global depois de ver uma deterioração com a anexação da Crimeia e a crise na Ucrânia. Uma vitória sobre o ISIS elevaria a posição russa, especialmente entre os europeus. As sanções contra o país, ligadas à crise na Ucrânia, poderiam ser suspensas. E o peso russo no Oriente Médio voltaria a crescer

Como os EUA veem a intervenção da Rússia?

Os EUA concordam que o ISIS deva ser derrotado, mas são contra apoiar Assad, acusado de cometer crimes contra a humanidade e inimigo declarado dos americanos. A retórica contra o líder sírio continuará. Mas, na prática, o governo americano manterá sua estratégia de bombardear o ISIS na região Raqaa, perto da fronteira com o Iraque, e evitará atritos e acidentes envolvendo os russos em outras áreas. No médio prazo, pressionará Moscou a adotar uma transição em Damasco na qual os americanos aceitariam a permanência do regime, mas com Assad deixando o cargo

Como Irã e o Hezbollah veem a intervenção da Rússia?

Os iranianos e o grupo libanês apoiam Moscou, pois também são aliados de Assad e inimigos dos radicais islâmicos sunitas do ISIS, Frente Nusrah, Jaysh al Islam e Jaysh al Fatah. Mas o regime de Teerã manterá uma certa cautela, pois teme ver seu poder influência sobre Assad diminuir, com Putin exercendo mais força. Isso também pode prejudicar o plano iraniano de, junto com o Hezbollah, montar uma nova frente contra Israel nas Colinas do Golã, além do sul libanês. Assim, poderiam atacar os israelenses sem correr o risco de ver o Líbano ser bombardeado em resposta.

Como os europeus veem a intervenção da Rússia?

Os europeus devem torcer para a Rússia obter sucesso, estabilizando as principais cidades da Síria, ainda que Assad, acusado de cometer crimes contra a humanidade, permaneça no poder. Isso reduziria a pressão sobre os habitantes e talvez reduza a o número de refugiados – todas estas possibilidades são hipóteses

Como os países do Golfo veem a intervenção da Rússia?

Os países do Golfo consideram Assad, o Irã e o Hezbollah inimigos maiores do que o ISIS. E, não podemos esquecer, A Arábia Saudita e seus aliados árabes apoiam abertamente grupos rebeldes ultra radicais como a Frente Nusrah, Jaysh al Fatah e Jaysh al Islam. Mas estes países não irão bater de frente com os russos, com quem mantêm canais de diálogo. Inicialmente, irão apenas observar os acontecimentos antes de tomar uma posição definitiva. Retoricamente, seguirão atacando Assad

Como Israel vê a intervenção da Rússia?

Israel e Rússia mantêm boas relações e Putin se dá bem com Netanyahu. Os israelenses consideram Assad um inimigo, mas o toleram e avaliam ser a melhor opção neste momento. Além disso, os israelenses preferem que os russos ganhem força em detrimento dos iranianos, o que pode aumentar a segurança no Golã

 Como a Turquia vê a intervenção da Rússia?

A Turquia considera os curdos e Assad os seus maiores inimigos no conflito. Mas a pressão dos EUA tem levado o regime de Erdogan a supostamente ser um pouco menos tolerante com o ISIS, especialmente depois de atentados no país. E Erdogan deve evitar bater de frente com Putin, a não ser, talvez, retoricamente

Qual deve ser o resultado da intervenção da Rússia?

O regime de Assad deve se fortalecer, mas será insuficiente para derrotar a oposição e o ISIS. As principais cidades sírias talvez fiquem um pouco mais estáveis. Será algo parecido com a Colômbia dos anos 1980 e 90, com a guerra entre o governo, traficantes e milícias marxistas. No médio prazo, sendo ultra otimista, talvez haja uma transição política, com a inclusão no governo de algumas figuras moderadas da oposição damascena e aleppina que sejam toleradas pelo regime. Na minha opinião, este é apenas mais um capítulo de uma guerra civil que ainda durará muitos anos. No Líbano, foram 15 entre 1975 e 90. Na Síria, só foram quatro até agora. Talvez o pior ainda esteja por vir.

Fonte: Estadão

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Sobre Joshua Duarte

Gosto de Filmes e livros de ficção, fantasia (principalmente Héry Póty), história e + ou - Best Seller. Odeio Gente idiota, ignorante, Poser, e que só sabe falar bem ou mal de PT e PSDB, pq pra mim é tudo a mesma bosta. Haaaaaa!!! Quase que eu esqueço, adoro rock e odeio funk, por mim, poderia cair um raio em cima de tudo que for funkeiro.

Publicado em 10/05/2015, em Guerras, Mundo, Oriente Médio, Terrorismo e marcado como , , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Marcelodellapoor

    Grande texto fabuloso e bem explicativo não era de se esperar uma forma de explicação sem levar para o lado EUA e sim bem elaborado pelos colaboradores, eu queria relatar, mas algumas coisas que isso poderá causar futuramente uma crise não só local, mas como global, os mapas sofrerão, mas mudanças diante dessas investidas, a marinha russa esta se preparando e se armando para uma crise ainda maior, quero fazer colocação bíblica a qual eu acho muito, mas haver com ação divina dos acontecimentos, Magogue Ezequiel 38 e 39 também os sinais apocalípticos, dos acontecimentos na Ucrânia e Crimeia e agora na Síria desperta o a atenção mundial, muitos estudiosos afirmam mais um grande sinal do fim, para mim princípio do fim, ao identificarmos Putin como príncipe de Gogue, o rei do Norte agora ISIS reduzir o nível de água no grande rio Eufrates para fins militares, Isto é uma prova do Apocalipse 16:12 o sexto anjo derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates sua água secou o caminho dos reis esta aberto para o cumprimento Bíblico esta passagem diz que o rio Eufrates na Síria e no Iraque sela cumprimento dos exércitos dos Reis do Oriente vai atravessá-lo para a batalha futura que esta agora se desenhando com líder como Putin que dês do seu primeiro mandato vêm postura politica de desempenho industrial da indústria bélica, assim como os novos misses, de Mach 4.5. O MOSKIT ou mosquito ou SS-N-22 SUNBURN que tem designado da OTAN pode voar a 3/5 vezes a velocidade do som 1/2 km em poucos metros acima da superfície da água do mar. Vem equipado radar sonar superior e diferente do sistema especial (Tercom), que compara os dados do solo com as imagens em sua memória, para ajustar o trajeto e voar em baixa altitude, escapando dos radares, o sistema russo que esta em grande produção já foi testado e aprovado o sistema que coloca EUA desvantagem em vários seguimentos, localização distancia focalização e mudanças de trajetória, apesar de sua envergadura os primeiros testes foram um fracasso só parti 2014 eles foram um sucesso, o míssil pode ser armado com uma ogiva nuclear equivalente a 250.000 ton (250 kiloton) de TNT, o que o faria ser 7 vezes mais poderoso que a bomba atômica de Hiroshima. Isso é largamente suficiente para devastar qualquer esquadra, por mais que poderosa. Sua carga explosiva convencional pesa 750 libras, além dos novos caças tanques investimentos em grande escala, essa politica de mudanças o rei do norte esta se colocando habilidade formidável neste senário mundial, a muitos que ainda vão questionar, mas isso e um fato um rumo sem volta que só o tempo definira sobrevivência da humanidade gananciosa orgulhosa que e o homem solitário ignorante mentiroso arrogante, mas que Deus amou e deu o seu único filho por amor a esta raça miserável que nos somos.

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  2. Muito bem explicado essas escaramuças de Putim em relação aos assuntos Políticos no momento. Vamos á comparação recente entre o Brasil e Argentina na vi~sao do antigo Presidente Bil Clinton quando em visita á FHC. Logo em seguida ele declarou que esperava mais Empenho da Argentina como Líder na America do Sul.

    Claro que não era nada disso; para as Grandes Potencias o que mais interessa é que o “CIRCO PEGUE FOGO” E ELES VENDAM ARMAS para compensar suas carências do “óleo” negro para suas Industrias que ninguém pensa em usar o que tem em seu próprio país.Pra que poluir o país; se posso comprar a preço que ditarei??

    Assim é o resultado e motivos para continuar alimentando as GUERRAS entre os trouxas? Sem contar outros fatores. Marcos 13: Além disso, quando ouvirdes [falar] de guerras e de relatos de guerras, não fiqueis apavorados; [estas coisas] têm de acontecer, mas ainda não é o fim.

    “A guerra para acabar com todas as guerras”
    ‘Eu lhes prometo que essa será a guerra final — a guerra para acabar com todas as guerras.’ — WOODROW WILSON, PRESIDENTE DOS ESTADOS UNIDOS (1913-21).
    ESSAS eram as expectativas otimistas de um líder mundial no fim da Primeira Guerra Mundial, uns 90 anos atrás. Aquele conflito global foi tão horrível que quem o venceu queria — e precisava — crer que seus muitos sacrifícios trariam benefícios duradouros. Mas as guerras humanas quase nunca resolvem problemas, muito menos põem fim à própria guerra, que é um problema antigo.
    Cerca de 20 anos após o Presidente Wilson ter feito aquela promessa impetuosa, irrompeu a Segunda Guerra Mundial, que causou muito mais mortes e destruição do que a primeira.

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  3. eadem@ig.com.br

    Concordo em gênero, número e grau com os pareceres emitidos por _GUSTAVO CHACRA_ e principalmente com sua hipótese em relação ao futuro desse conflito. Parabéns pela lucidez, propriedade, conhecimento, moderação e _PRINCIPALMENTE ISENÇÃO_ com que abordou o tema. Como leitor assíduo de G&M, agradeço e assinalo que seu artigo deve passar a servir como referencial, tendo em vista que ultimamente se vê cada asneira aqui que dá dó. Valeu, _CHACRA_!

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