Seis fatos que você deve saber sobre a queda das bolsas

Cidade de Pequim, China

Cidade de Pequim, China

As principais bolsas da Europa, da Ásia e dos Estados Unidos tiveram o pior dia desde 2008 e encerraram o pregão desta segunda-feira com fortes perdas, pressionadas pelo tombo nas ações da China e novos temores sobre o crescimento global. Nesta segunda, o Xangai Composto, principal índice acionário chinês, fechou com queda de 8,5%, apagando os ganhos de todo o ano. Saiba quais são as seis coisas que importam sobre o comportamento do mercado hoje.

01 – A desaceleração da China não é novidade

A desaceleração da China não é novidade

Não é de hoje que a economia chinesa desperta olhares cautelosos. A desaceleração econômica do gigante asiático é um ponto pacífico entre economistas do mundo todo — e, diferentemente do Brasil, o governo chinês não tem feito questão de esconder do mercado suas previsôes mais modestas de crescimento. O que mudou nos últimos dois meses é que a percepção dos investidores sobre a capacidade de o governo chinês controlar essa desaceleração tem se mostrado limitada. As diversas intervenções na bolsa de valores, com o intuito de frear a queda das ações, resultaram em ainda mais desconfiança. A tentativa de desvalorizar a moeda diante do cenário incerto também foi vista pelo mercado como mais um sinal de que a situação chinesa está pior que o esperado.

02 – Hoje, o Fed preocupa tanto quanto a China

Hoje, o Fed preocupa tanto quanto a China

Diante das incertezas trazidas pelo mercado chinês, um sopro de estabilidade era esperado no Ocidente. Contudo, na semana passada, a publicação da última ata da reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), trouxe mais dúvidas do que respostas sobre a elevação dos juros nos Estados Unidos. Depois de inúmeras sinalizações de que subiria os juros em setembro, os dirigentes do Fed divergiram, no último mês, sobre a data da elevação. Agora, há expectativa de que a subida seja efetivada somente em 2016. Tal mudança nas expectativas fez com que as bolsas americanas caíssem na semana passada. Aliada à crise na bolsa chinesa, a mudança criou sentimento de pânico nos mercados e investidores buscam realizar seus ganhos.

03 – A economia global está em momento de transição

A economia global está em momento de transição

Para a revista britânica The Economist, a turbulência se dá em um momento de transição, em que as economias desenvolvidas se recuperam da crise econômica e fiscal da última década, enquanto os mercados emergentes sofrem os solavancos decorrentes de erros em sua política econômica. Neste aspecto, a desvalorização do iuane é emblemática. As críticas sobre a manutenção do câmbio fixo na China remontam a mais de duas décadas. O fato de o país resolver mudar tal política em momento de crise faz com que os investidores se sintam ainda menos seguros em aportar seus recursos nos mercados asiáticos.

04 – A bolsa é um investimento popular na China, e isso pode ser um problema

A bolsa é um investimento popular na China - e isso pode ser um problema

Ao contrário da maioria dos mercados de capitais, em que investidores institucionais são donos da maior parte das ações, na China, 80% do mercado está nas mãos de pessoas físicas. O boom da bolsa chinesa foi impulsionado, sobretudo, pela entrada de pequenos investidores em busca de ganhos em ações de empresas de tecnologia. Antes de despencar, o índice Shangai Composite, o principal da Bolsa de Shangai, havia se valorizado em mais de 100% no primeiro semestre. O pequeno investidor chinês descobriu a bolsa nos últimos dez anos e tem migrado sua poupança para as ações depois que o mercado imobiliário, que levava a preferência dos chineses, passou a titubear e dar sinais de bolha. Um dos fatores de risco para a economia chinesa é a perspectiva de a queda das ações atinja a poupança da população e, em última instância, o consumo.

05 – A bolsa chinesa é pequena, mas não insignificante

A bolsa chinesa é pequena, mas não insignificante

A participação da bolsa chinesa no contexto mundial é pequena, porém, não insignificante. Enquanto o mercado de capitais americano movimenta 18,6 trilhões de dólares, a soma das empresas chinesas listadas em bolsa é de 3,7 triilhões de dólares. Há um abismo de valor entre ambos. Mesmo assim, a China é o segundo maior mercado acionário do mundo, acima de Japão, Reino Unido e Alemanha. Analistas acreditam que uma segunda crise asiática, como a de 1997, seja improvável, já que os governos do continente colocaram em prática reformas que deixaram os países mais calibrados para enfrentar turbulências. Os bancos e o sistema financeiro, como um todo, também estão menos vulneráveis para enfrentar a crise houver um tombo mais forte na economia chinesa.

06 – E o Brasil com isso?

E o Brasil com isso?

Como a bolsa de valores brasileira tem uma participação importante de investidores institucionais estrangeiros, qualquer solavanco mundial impacta os preços dos ativos. Ocorre que, como a bolsa brasileira enfrenta uma trajetória constante de queda desde 2013, movimentos bruscos, como os de hoje, tendem a ter impacto limitado. Atualmente, importa mais para o investidor estrangeiro as questões internas do país, como o ajuste fiscal e o caos político, do que a crise chinesa. Contudo, mesmo com uma grave crise para chamar de sua, o Brasil não está imune ao outono chinês. O país asiático é um dos principais importadores da soja e do minério de ferro brasileiros. Assim que qualquer choque na economia asiática tende a impactar não o mercado financeiro brasileiro, mas a economia real — o que é pior.

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Sobre Joshua Duarte

Gosto de Filmes e livros de ficção, fantasia (principalmente Héry Póty), história e + ou - Best Seller. Odeio Gente idiota, ignorante, Poser, e que só sabe falar bem ou mal de PT e PSDB, pq pra mim é tudo a mesma bosta. Haaaaaa!!! Quase que eu esqueço, adoro rock e odeio funk, por mim, poderia cair um raio em cima de tudo que for funkeiro.

Publicado em 08/25/2015, em Brasil, Economia, Mundo, Notícias e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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