O trágico destino das empresas de Eike Batista

As empresas de Eike Batista não têm apenas o X em comum — seus negócios também são completamente interligados. Assim, a crise de confiança que se abateu sobre a OGX também atingiu suas ‘irmãs’, por assim dizer. Neste ano, o banco BTG Pactual foi contratado para reestruturar o grupo e diversos ativos foram postos nas mesas de negociação. A ideia era simples: vender tudo para evitar a falência completa do grupo. Confira o que aconteceu com as empresas de ‘ouro’ de Eike Batista — e que quase viraram pó:

OGX: o epicentro da crise

OGX: o epicentro da crise

A “menina dos olhos” do grupo EBX começou sua derrocada em 2012, quando a estimativa de produção de petróleo anunciada por Eike com louvor se mostrou bem menos otimista. De lá para cá o valor de mercado da companhia praticamente virou pó, com sua ação despencando de 20 reais (25 de junho de 2012) para 0,13 real em 30 de outubro, dia que entrou com pedido de recuperação judicial. Neste período, dois fatos foram marcantes e decisivos. O primeiro, em 21 de junho, foi a renúncia de três conselheiros de renome da petroleira em Pedro Malan, Rodolpho Tourinho Neto e Ellen Gracie. O segundo, uma semana depois, foi o anúncio de que os poços mais produtivos da companhia – do campo de Tubarão Azul – poderiam interromper sua produção em 2014.

Ambos levaram o mercado, que já estava desconfiado, a exigir que Eike Batista exercesse o direito de subscrição de ações da OGX no valor de 1 bilhão de reais, como prometera. Eike recuou, prejudicando ainda mais sua imagem e da empresa. Foi a ‘gota d’água’. A partir daí tudo desmoronou: a OGX não tinha mais crédito fácil no mercado; o mal-estar atingiu as outras empresas do grupo EBX, especialmente o estaleiro OSX; o presidente da companhia, Luiz Eduardo Carneiro, e o diretor jurídico, José Faveret, foram demitidos em outubro; a malaia Petronas relutou em fechar acordo de compra de ativos com a empresa e o negócio foi desfeito; foi anunciado o calote no pagamento de juros de títulos internacionais que valiam 45 bilhões de reais; e a negociação com credores amarelou. No fim, a OGX não conseguia nem pagar o fornecedor do cafezinho.

A empresa entrou com pedido de recuperação judicial em 30 de outubro. As consultorias Lazard Ltd e a Angra Partners foram contratadas para tentar renegociar as dívidas, que somam 11,2 bilhões de reais, com os credores. O nome da companhia mudou para Óleo e Gás Brasil S.A.

OSX: o alvo secundário

OSX: o alvo secundário

A OSX, empresa de construção naval controlada pelo empresário Eike Batista, entrou com um pedido de recuperação judicial no dia 11 de novembro, onze dias após a OGX percorrer o mesmo caminho. Sua queda começou com a notícia, em julho, de que a OGX poderia interromper a produção de seus poços no campo de Tubarão Azul no ano que vem. Com contratos de fretamento de plataformas de petróleo cancelados pela petroleira, o mercado passou a questionar sua fonte de sobrevivência, já que a única razão da existência da OSX era fornecer plataformas para a petroleira. A OGX chegou a falar que pagaria uma indenização de 449 milhões de dólares à OSX como compensação. Com isso, o estaleiro até conseguiu rolar sua dívida com o BNDES e a Caixa. Mas a iminência da queda da OGX fez a empresa perder credibilidade e foco. Primeiro, o negócio da OGX com a Petronas, que seria a fonte de dinheiro para pagar a OSX, não deu certo. Depois, credores e fornecedores começaram a pressioná-la. Por fim, a OGX entrou com pedido de recuperação judicial e a OSX sucumbiu — pois teve de seguir o mesmo caminho.residente, Marcelo Gomes, da consultoria Alvarez Marsal. A empresa tem endividamento de cerca de 5 bilhões de reais.

MMX: sobrevivente na berlinda

MMX: sobrevivente na berlinda

Em meados de outubro, foi a vez de a MMX entrar no jogo de reestruturação de Eike. A empresa vendeu o controle do Porto do Sudeste, seu mais importante ativo, para a trading holandesa Trafigura Beheer e para o fundo soberano de Abu Dhabi, Mubadala – num acordo de 996 milhões de dólares. Com isso, a empresa conseguiu renegociar todas as dívidas e assegurou um novo aporte de dinheiro para acabar as obras do empreendimento. Juntos, Trafigura e Mubadala detêm participação de 65% na MMX Porto Sudeste. A expectativa da empresa é que o Porto Sudeste entre em operação no terceiro trimestre de 2014, recebendo suas primeiras receitas em 2015. Também neste ano, em julho, a mineradora suspendeu por seis meses as atividades de sua unidade em Corumbá (Mato Grosso do Sul). Em novembro concluiu a venda de seus ativos no Chile para a Inversiones Cooper Mining S.A em troca de um pagamento trimestral de royalties, fixados em 0,80 dólar por tonelada de minério de ferro vendido, a partir do início de sua produção e exploração comercial até atingir 40 milhões de dólares.

LLX: teve uma segunda chance

LLX: teve uma segunda chance

Em outubro, em meio à crise de credibilidade de Eike Batista e do grupo EBX, o grupo norte-americano EIG Holdings assumiu o controle da empresa de logística. O acordo foi acompanhado de um aumento de capital de 1,3 bilhão de reais, com cada ação a 1,20 real. A dívida da companhia também foi estendida por 18 meses com Bradesco e Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O aporte também deu à EIG o controle do Porto de Açu, um dos ativos mais valiosos do grupo. A transição fez parte da reestruturação das empresas X, comandada pelo banco BTG Pactual. Logo após o anúncio, Eike renunciou ao cargo de presidente do conselho da LLX. Em novembro, diante dos rumores de que a OSX entraria com um pedido de recuperação judicial, a LLX precisou negociar a alteração dos acordos assinados com a OSX sobre o Superporto de Açu. O empreendimento portuário, localizado em São João da Barra, tinha previsão de inauguração no primeiro semestre deste ano, mas enfrenta dificuldades trabalhistas e ambientais. A ideia é que uma parte comece a funcionar ainda este ano e outra fique pronta entre 2014 e 2015.

MPX: escapou por um triz

MPX: escapou por um triz

Um de seus ativos mais valiosos, a MPX, empresa de energia, começou a deixar as mãos de Eike Batista logo em março deste ano, quando o empresário vendeu 24,5% das ações para a alemã E.ON, que já era acionista da companhia desde 2012. Em julho, em meio à reestruturação comandada pelo BTG, a companhia alemã aumentou sua fatia na empresa ao injetar 800 milhões de dólares. Na ocasião, Eike também deixou a presidência do Conselho de Administração e o nome da companhia foi alterado para Eneva Energia. O acordo foi concluído em setembro e, desde então, a E.ON detém 37,9% do capital social da empresa de energia e Eike Batista, 23,9%. No fim de outubro, a Eneva e a Cambuhy Investimentos acordaram a compra conjunta da OGX Maranhão, detentora do direito de exploração de gás na bacia do Parnaíba. Com isso, a unidade nordestina mudou de nome para Parnaíba Gás Natural. Os investimentos na empresa serão de 250 milhões de reais.

CCX: invadida pelos turcos

CCX: invadida pelos turcos

Depois de muitos rumores de que a empresa de carvão de Eike seria vendida, no final de outubro, finalmente ela celebrou um memorando de entendimento com a companhia turca Yildirim Holding A.S. para a venda de ativos. Serão alvo do acordo projetos de mineração a céu aberto Cañaverales e Papayal, por 50 milhões de dólares, e do projeto de mineração subterrânea de San Juan, incluindo o projeto de infraestrutura logística (ferrovia e porto), por 400 milhões de dólares. Cañaverales possui 27,3 milhões de toneladas de reservas de carvão certificadas e Papayal tem 15,6 milhões de toneladas de reservas de carvão certificadas. San Juan, por sua vez, possui 671,8 milhões de toneladas de reservas comprovadas de carvão, certificadas. Eike chegou a manifestar sua intenção de fechar o capital da companhia, adquirindo todas as ações em circulação, mas acabou desistindo pelas condições desfavoráveis de mercado. Em julho, a CCX diminuiu o número de conselheiros e três membros renunciaram ao cargo.

REX: final inglório

REX: final inglório

A empresa em empreendimentos imobiliários do grupo EBX, REX, comprou o tradicional Hotel Glória em 2008 para reformá-lo antes da Copa do Mundo de 2014. Mas, mesmo com recursos de mais de 190 milhões de reais do BNDES levantados no programa ProCopa Turismo, a obra está atrasada e não ficará pronta até o torneio mundial. A possibilidade mais factível é de que ocorra a abertura parcial do hotel. Desde outubro, o empreendimento pertence à empresa suíça Acron, que adquiriu o ativo 225 milhões de reais. A previsão de conclusão total das obras é para o quarto trimestre de 2015.

AUX: ouro de tolo

AUX: ouro de tolo

A empresa de mineração de ouro do grupo EBX está à venda, também dentro da estratégia de reestruturação do grupo EBX. Até o momento, os únicos que demonstraram interesse nos ativos são os fundos soberanos do Oriente Médio Qatar Investment Authority e Mubadala. A negociação, caso seja concretizada, pode alcançar de 2 a 4 bilhões de dólares. O grupo EBX, contudo, não confirma que o negócio esteja próximo de uma conclusão. A AUX foi criada em 2010 e detém direitos de exploração de minério na região de California-Vetas e La Bodega, na Colômbia.

IMX: o show (quase) acabou

IMX: o show (quase) acabou

A empresa de entretenimento de Eike também entrou na lista de ativos à venda. Segundo rumores que surgiram em meados do ano, o empresário quer mais de 500 milhões de reais pela IMX. Ela foi criada em dezembro de 2011 a partir de uma joint venture firmada com a multinacional IMG. A Time for Fun (T4F) se interessou pela empresa, mas não concordou com o valor pedido, o que a fez desistir da aposta. À época, a EBX negou a intenção de venda e até o momento nada foi firmado. O redator-chefe e colunista de VEJA, Lauro Jardim, adiantou no início de novembro que Eike Batista está finalizando a venda dos 50% de participação que tem no Rock in Rio, fatia que adquiriu por meio da IMX. O comprador seria um fundo de investimentos americano que atua no mercado de entretenimento. O empresário Roberto Medina é dono da outra metade do festival.

Pink Fleet: desmontar para não afundar

Pink Fleet: desmontar para não afundar

Eike até que tentou vender seu luxuoso iate, mas não conseguiu. Usado para abrigar eventos corporativos e passeios turísticos na Baía da Guanabara, o Pink Fleet está em processo de desmonte, para que ao menos suas peças sejam vendidas. O empresário chegou a propor a doação do equipamento à Marinha para se livrar do alto custo de manutenção, estimado em 300 mil por mês, mas a oferta não foi aceita. Ele ficava no estaleiro Cassinú, em São Gonçalo (RJ).

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Sobre Joshua Duarte

Gosto de Filmes e livros de ficção, fantasia (principalmente Héry Póty), história e + ou - Best Seller. Odeio Gente idiota, ignorante, Poser, e que só sabe falar bem ou mal de PT e PSDB, pq pra mim é tudo a mesma bosta. Haaaaaa!!! Quase que eu esqueço, adoro rock e odeio funk, por mim, poderia cair um raio em cima de tudo que for funkeiro.

Publicado em 08/04/2015, em Brasil e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. eadem@ig.com.br

    Tem jornalista com merda na cabeça, ou comendo capim demais, ou é tudo mercenário hipócrita sem-vergonha!

    Que empresas o “laranja” do PT Êique Batista tinha? Ele nunca teve porra nenhuma! Era mero garoto-de-recado e proxeneta de uma ala do grupo que apoia o Luladrão e à quadrilha PT!

    Vai dizer que não sabem disso?

    Ou que não perceberam?

    Então vai vender sacolé na praias, cara! Essa é tua profissão!

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  2. luiz anselmo pias perlin

    Perceberão que o cara comesou a se dar mal após gastar uma fortuna para inoscentar o filho e colocar a culpa na vitima que teve sua vida ceifada por imprudencia do guri.

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