Países fazem pressão diplomática por condenados à morte na Indonésia

Barco com familiares de australianos no corredor da morte chega à ilha onde execuções serão realizadas na Indonésia nesta segunda-feira (27) (Foto: Romeo Gacad/AFP)

Os apelos e pressões diplomáticas ganharam intensidade nesta segunda-feira (27) para tentar salvar a vida de oito estrangeiros, incluindo o brasileiro Rodrigo Gularte, condenados à morte por narcotráfico na Indonésia.

As autoridades de Jacarta notificaram os oito estrangeiros (da Austrália, Brasil, Filipinas e Nigéria) que a execução é iminente, assim como a de um cidadão indonésio. Um francês, também condenado à pena capital por narcotráfico, foi retirado da lista no último momento.

O presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro australiano, Tony Abbott, “recordaram que França e Austrália condenam o recurso da pena de morte em qualquer circunstância”, segundo um comunicado do governo de Paris.

As pressões diplomáticas aumentaram nos últimos dias e o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, também pediu à Indonésia que desista das execuções.

Nesta segunda, o advogado do brasileiro Rodrigo Gularte apresentará um último recurso para conseguir uma revisão do caso, assim como novos boletins médicos sobre o distúrbio mental de que sofreria, de acordo com a família.

Gularte, de 42 anos, foi detido em 2004 ao tentar entrar no aeroporto de Jacarta com seis quilos de cocaína escondidos em pranchas de surf. A família apresentou vários relatórios médicos para demonstrar que ele sofre de esquizofrenia e que, portanto, não deveria ser executado.

As autoridades indonésias adiaram a execução do francês Serge Atlaoui, de 51 anos, condenado à morte em 2007 por narcotráfico – uma acusação que sempre negou -, supostamente pelas fortes pressões diplomáticas francesas.

O ministro espanhol das Relações Exteriores, José Manuel García-Margallo, decidiu cancelar uma viagem prevista para terça-feira à Indonésia.

‘Salve minha filha!’
Os parentes dos condenados visitaram os detentos nesta segunda na prisão da ilha de Nusakambangan, “a Alcatraz indonésia”, onde os presos podem ser fuzilados na madrugada de quarta-feira.

A imprensa australiana publicou fotos das cruzes destinadas aos caixões dos condenados com a data de 29.04.2015.

Até o momento, o presidente indonésio, Joko Widowo, intransigente com o tráfico de drogas, rejeitou todos os pedidos de indulto, apesar dos muitos apelos por clemência.

Nesta segunda-feira ele disse que sente compaixão pela presa filipina Mary Jane Veloso e prometeu estudar o caso, mas parece pouco provável que Widowo mude sua opinião sobre execuções que, segundo ele, são essenciais para atacar a crise provocada pelas drogas no país.

Veloso, de 30 anos, afirma que não é uma narcotraficante e que caiu na armadilha de uma rede criminosa. Sua irmã e sua mãe voltaram a pedir clemência nesta segunda-feira.

“Suplicamos que deem uma última oportunidade a minha irmã mais nova, mãe de dois filhos”, declarou Marites Veloso-Laurente ao chegar a Cilacap, o porto de acesso à “prisão da morte”.

A mãe de Mary Jane enviou uma mensagem desesperada ao campeão de boxe filipino Manny Pacquiao, que treina nos Estados Unidos para uma das lutas mais aguardadas dos últimos anos, contra o americano Floyd Mayweather Jr.

“Manny, por favor, salve minha filha. Por favor, fale. Qualquer palavra sua será uma grande ajuda porque você é muito popular na Indonésia”, declarou Celia Veloso a uma emissora de rádio.

O boxeador não ignorou o apelo da compatriota.

“Eu apelo a vossa excelência que conceda sua clemência, perdoando a vida e salvando-a da execução”, pediu Pacquiao a Widowo, em uma mensagem gravada em seu centro de treinamento em Los Angeles.

Austrália
A Austrália também voltou a pedir a Jacarta que não execute seus dois cidadãos condenados à morte, Myuran Sukumaran e Andrew Chan. O grupo de imprensa australiano Fairfax Media publicou novas acusações contra os juízes que os condenaram em 2006.

Segundo o Fairfax, os magistrados teriam pedido mais de um bilhão de rupias (US$ 103.000) para evitar a pena de morte e uma sentença de menos de 20 anos de prisão.

O pedido da ministra das Relações Exteriores australiana, Julie Bishop, aprofundou uma disputa diplomática entre os dois países.

Julie afirmou que as alegações de que os juízes pediram dinheiro para comutar as penas de morte para os dois eram “muito graves” e colocavam em questão a integridade do processo de condenação.

Em conversa com repórteres no aeroporto de Jacarta, após retornar de uma cúpula regional em Kuala Lumpur, o presidente indonésio, Joko Widodo, disse que tais preocupações deveriam ter sido transmitidas anos atrás, quando o caso transitou nos tribunais.

“Por que eles não falaram isso quando isso aconteceu, por exemplo?”, afirmou.

Armanatha Nasir, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Indonésia, declarou que os australianos Myuran Sukumaran e Andrew Chan tiveram acesso a todas as vias legais para contestar suas sentenças de morte. A Austrália precisaria apresentar provas da suposta corrupção, acrescentou.

Fonte: G1

Publicado em 04/27/2015, em Notícias e marcado como , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Ninguém deve se sentir contente com uma vida tirada. Mas a Indonésia não é uma flor que se cheire. Ate na Russia, China, Alemanha, USA,, ENFIM; EM QUALQUER LUGAR DO PLANETA. se encontra essa doença chamada “drogas”.

    Comparando; é como se um Grupo de Sacoleiros ou feirantes resolvessem Invadir o Paraguay e abrissem uma feira com produtos Brasileiros a preço competitivos com o que la se encontram no comercio Local.

    Seriam presos com certeza. Assim é no caso da Indonésia; estão competindo com Vendedores de Drogas Locais. Cidadãos indonésio que tem mais direitos que os de fora.

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  2. eadem@ig.com.br

    Vejo o narcotráfico como CRIME HEDIONDO e passivo de PENA DE MORTE.

    Por quê? Porque as drogas matam e seu tráfico também.

    Todavia é verdade que no Brasil não há pena de morte e o tráfico de drogas é incentivado por corruptos magistrados, cúpidos procuradores e safados políticos, que se locupletam dele. Na Indonésia é o contrário: Traficou? Morre!

    Vai daí, se os brasileiros Archer e Gularte tinham que traficar drogas, que o fizessem no Brasil e hoje, além de ricos estariam bem encaminhados na política por um partido qualquer da “esquerda” ladravaz que assalta o país.

    Ou que fossem traficar na França, na Austrália, na Holanda, ou no Uruguai, onde narcotraficantes são bem-vindos.

    Mas tinham que traficar logo na Indonésia?

    Então querem, procuraram e devem mesmo morrer! Não tanto pelo tráfico, mas principalmente… PELA BURRICE! Que se ferrem e não se fala mais nisto!

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  3. luiz anselmo pias perlin

    Só uma pergunta traficante perdoa devedor,e na minha opnião traficante tem de morrer se for conprovado o crime pois esta raça estraga a vida de milhões de pessoas de jovens e de seus pais que tentam recuperar seus filhos só um pai e uma mãe que sofreram com um filho drogado sabem o pavor que é passar por tal cituação não saber se seu filho esta morto ou roubando trabalhadores inoscentes para saciar sua dependencia das drogas ou familiares de vitimas destas pessoas que perderam seus entes queridos para que eles consigam 10 reais para uma doze uma vida de um trabalhador por 10,00 reais cinto pelos parentes dos apenados mas se perdoarem o brasileiro com a alegação de que ele é exquisofrenico libertem todos os traficantes pois sera a alegação de todos os advogados daqui por diante mais uma ha favor do crime e contra os verdadeiros humanos.

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