Estado Islâmico desafia Al-Qaeda no Iêmen

Massacre realizado por EI deixou 142 mortos e 351 feridos na sexta (20).
Mergulhado na guerra civil, país está dividido entre xiitas e sunitas.

Com os sangrentos atentados cometidos no Iêmen na sexta-feira (20), o grupo Estado Islâmico desafia a Al-Qaeda na luta por conquistar uma população sunita descontente e confrontada com os xiitas, que controlam o poder em Sanaa, avaliam especialistas.

Pelo menos 142 pessoas morreram e outras 351 ficaram feridas em atentados suicidas de sexta contra duas mesquitas na Capital do país, frequentadas por fiéis e milicianos xiitas hutis, que desde janeiro passado controlam a capital iemenita.

O massacre aconteceu 48 horas depois do ataque ao Museu do Bardo, na Tunísia, que deixou 20 turistas estrangeiros mortos, e foi reivindicado pelo Estado Islâmico, o que leva a crer que o grupo jihadista tenha lançado uma campanha de ataques coordenados, estimam os analistas.

O grupo Estado Islâmico (EI) informou que estes atentados, os mais mortais cometidos até hoje em Sanaa, foram apenas “a ponta do iceberg”. Já a Al-Qaeda na Península Arábica (AQPA), também sunita, reafirmou que não ataca “mesquitas e mercados” para evitar a morte de “inocentes”.

Mergulhado na anarquia e em uma guerra civil, o Iêmen está dividido em dois.

O nordeste é controlado desde setembro do ano passado pelos xiitas hutis, apoiados pelo Irã. O sudeste é dominado pelas forças aliadas ao presidente Abd Rabo Mansur Hadi, vinculado à Arábia Saudita, que fugiu de Sanaa e se refugiu em Áden.

No mundo jihadista, o Iêmen era, até poucos meses atrás, domínio da AQPA, com forte presença no sul do país.

O grupo Estado Islâmico, que suplantou a Al-Qaeda na Síria e no Iraque após combates fratricidas, não tinha qualquer visibilidade no Iêmen.

Apesar dos enfrentamentos entre jihadistas na Síria e no Iraque, a AQPA conclamou em outubro passado os muçulmanos a apoiar o EI contra os “cruzados”, o que foi interpretado como um indício de divisões dentro da Al-Qaeda.

Corpos de pessoas mortas em atentado suicida na sexta são vistos em necrotério em Sanaa, Capital do Iêmen, no sábado (21). Pelo menos 137 pessoas morreram durante orações  em mesquitas da cidade devido a ataques coordenados e reivindicados pelo EI (Foto: Mohamed al-Sayaghi/Reuters)

Corpos de pessoas mortas em atentado suicida na sexta são vistos em necrotério em Sanaa, Capital do Iêmen, no sábado (21). Pelo menos 137 pessoas morreram durante orações em mesquitas da cidade devido a ataques do EI

Em fevereiro, combatentes da Al-Qaeda nas províncias iemenitas de Dhaar e Sanaa juraram lealdade ao líder do EI, Abu Bakr al-Bagdadi.

“Desde que as milícias hutis tomaram o controle da capital e conquistaram parte do país, a Al-Qaeda perdeu credibilidade, se mostrando incapaz de defender as províncias sunitas”, explicou Mathieu Guidère, professor da Universidade de Toulouse, na França, e especialista no Islã.

Com o massacre em Sanaa, o grupo Estado Islâmico “quer demonstrar à base jihadista sua capacidade para atingir o inimigo, que considera “herege”, com mais violência que a AQPA”, acrescentou o professor francês de Relações Internacionais Jean-Pierre Filiu. “Atualmente, seções inteiras da AQPA se inclinam ao” Estado Islâmico, diz.

Para Bagdadi “se trata de obter, a qualquer preço, a lealdade da AQPA e absorver, assim, a primeira geração jihadista”, acrescentou.

“O Iêmen evolui para uma situação similar à da Síria e do Iraque, com uma guerra confessional, que confronta sunitas e xiitas”, diz Guidère. Para o EI, se trata de “defender os sunitas das agressões xiitas e estrangeiras” em Síria, Iraque e “agora no Iêmen”, avalia o especialista.

O Estado Islâmico nunca escondeu a intenção de estender o território do califado para a Arábia Saudita, e o Iêmen, considerado o berço dos árabes, é um objetivo de primeira ordem”, explica Guidère.

“A organização continua com a estratégia de cercar a Arábia Saudita. Após as posições tomadas no norte da península (Iraque), agora se aproxima pelo flanco sul a partir do Iêmen”, acrescenta.

Jean-Pierre Filiu vai mais longe, ao dizer que o grupo EI demostrou “sua capacidade de coordenar um vasto movimento de expansão, primeiro na Líbia, depois na Tunísia e agora no Iêmen, sem esquecer a afiliação do Boko Haram” na Nigéria.

“Isto é o prelúdio ao reinício de uma campanha terrorista no continente europeu”, conclui Filiu, ao analisar o desenvolvimento do EI nas últimas semanas.

FONTE: G1

Publicado em 03/21/2015, em Notícias e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

  1. Tem que haver “cabeças” líderes dessa matança. Porque esses não amarram explosivos e sí próprios e dão o exemplo??? É fácil mandar “ovelhas” ignorantes depois de uma lavagem cerebral, fazer o trabalho sujo. Os líderes sempre ficam “vivos” apos cessar o conflito. É igual certo país dito “democrático” na América do Sul. Quando vai tudo bem para os corruptos; A Pátria é deles (10% de Iluminates) Quando vai mal, o “zé povinho” tem que apertar o cinto.

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  2. eadem@ig.com.br

    A Al Qaeda é o braço armado do Islã. O EL é a “quinta-coluna” plantada pelo EIXO DO MAL (EUA, Israel e seus escravos, satélites e aliados) dentro do islamismo. Tomara que a Al Qaeda do mártir Osama Bin Laden vença com a graça e o poder de Alá!

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    • Vinicius Campanerutti

      Voce acredita que matar pessoas vai fazer bem à sua religiao?O belo islamismo realmente prega a violência?Porque a Al Qaeda estaria correta? E o EI nao?
      Por favor,adoraria ter conhecimento sobre tal assunto.

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