O EXEMPLO DA JORDÂNIA

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Foto: Suas Majestades o Rei Abdullah II e a Rainha Rania da Jordânia, junto aos seus quatro filhos, Suas Altezas Reais os Príncipes Hussein, Príncipe Herdeiro da Jordânia, em Hashem, e as Princesas Iman e Salma.


Foi neste dia, em 1999, que o Rei Abdullah II sucedeu ao Trono do Reino Hachemita da Jordânia, após a morte de seu pai, o Rei Hussein. O Rei da Jordânia tem aparecido bastante na mídia, ultimamente, devido ao horroroso fato de um piloto de combate jordaniano ter sido queimado vivo, pelos terroristas do ISIS. O Rei Abdullah, treinado, ele mesmo, como piloto de combate, pôs seu uniforme de batalha e conclamou por uma rápida retaliação contra esses criminosos bárbaros, inspirando milhares de pessoas, dos Estados Unidos ao Japão, cujos líderes não podem ou não querem fazer o mesmo, mostrando tamanho nível de determinação contra este inimigo perverso. Tendo tudo isto em mente, deveria ser obvio para o público que está assistindo que a Jordânia representa algo de uma “base”, para se resolver muitos do Oriente Médio atual. Dizer que deveria ser “óbvio”, no entanto, não significa que será, uma vez que ninguém parece disposto a fazer uma argumentação monarquista no cenário mundial. Em tempos onde tantos estão elogiando a coragem e a liderança do Rei Abdullah II, esta é a hora perfeita para apontar que o modelo jordaniano deveria servir de exemplo para todos aqueles que almejam uma solução monarquista.

O Reino da Jordânia se destaca no Oriente Médio, como um País onde, ainda que tendo seus problemas deficiências, como qualquer outro, possui uma excelente histórico de força e estabilidade, quando comparado aos seus vizinhos. A Jordânia é um País pequeno, um pouco maior que o Estado de Indiana, com uma população de cerca de seis milhões de pessoas, com muita pouca água e praticamente nenhum recurso natural de que se tenha conhecimento. Seus principais produtos têm sido, tradicionalmente, cevada, frutas e cabras. Ela não possui as vastas reservas de petróleo do Iraque ou mesmo da Arábia Saudita, e tem havido tensões entre a população nativa e o grande número de refugiados palestinos, que compõem uma considerável parcela da população. Ainda assim, enquanto vizinhos como a Síria e o Iraque tenham tido muito mais vantagens, eles tiveram numerosas guerras civis e passaram muitas décadas vivendo sob o jugo de ditadores socialistas brutais, enquanto a Jordânia tem mantido paz e estabilidade internas, com uma forte Monarquia Constitucional.

O Rei, assim como muitos de seus colegas na região, tem uma grande quantidade de poder e, na realidade, supõe-se que ele deva governar seu País, ainda assim, não há semelhança alguma com a vizinha Arábia Saudita, que é muito mais restritiva e onde o poder é muito mais centralizado. Do mesmo modo, ainda que seja um País muçulmano e que a Família Real Hachemita afirme ser descendente do “Profeta” Maomé, a Jordânia não é, de modo algum, tão severamente rigorosa quanto a Arábia Saudita é. Começando na década de 1950, as mulheres jordanianas passaram a ganhar muito mais liberdade, e o País tem um governo representativo com uma legislatura bicameral, onde a Câmara Baixa é eleita democraticamente e a Câmara Alta é nomeada pelo Rei. Se isto soa um pouco familiar, é porque deveria. Após as forças Britânicas e Aliadas expulsarem os turcos otomanos na Primeira Guerra Mundial, o País da Transjordânia (como era originalmente chamado) foi estabelecido, com o Príncipe hachemita Abdullah bin Hussein como Emir. A partir de 1920, a Transjordânia passou a ser um Protetorado Britânico, progredindo, de maneira estável, rumo à independência, de forma que, na década de 1940, restavam apenas alguns poucos conselheiros britânicos. A independência total foi reconhecido em 1946, mas se alguém duvidar que o País já era praticamente independente antes disto, é bom lembrar que a Jordânia se manteve neutra durante a Segunda Guerra Mundial, o que, obviamente, não teria sido o caso se fosse apenas uma simples Dependência Britânica.

Houve muitos problemas, ainda como em todos os outros países da região, com relação à independência do Estado de Israel, aos refugiados palestinos e aos duradouros laços com o Reino Unido, principalmente enquanto nacionalismo árabe estava em voga, na década de 1950. Contudo, a Jordânia e o Iraque, que também era uma Monarquia Hachemita, na época, uniram-se na Federação Árabe ou Estado Federal Árabe, em 1958, para se opor à união entre o Egito e a Síria (que era, na verdade, o Egito dominando a Síria), conhecida como República Árabe Unida. Nenhuma das duas uniões durou muito e, lamentavelmente, a Monarquia Iraquiana foi derrubada em um golpe republicano, que lançou o País em uma era de instabilidade, interrompida apenas pela estabilidade de uma ditadura brutal. Assim sendo, enquanto a Síria e o Iraque têm sido conhecidos, principalmente, por suas guerras, torturas e tiranias, a Jordânia ganhou uma reputação muito melhor frente ao Mundo. Ela é conhecida como o País que fez as pazes com Israel (embora, naturalmente, ainda haja tensões), o País com líderes, tanto homens quanto mulheres, largamente admirados, como o Rei Hussein, a Rainha Alia, a Rainha Noor ou, nos dias de hoje, o Rei Abdullah II e a Rainha Rania.

Todos que, à luz dos recentes eventos, elogiando o Rei Abdullah II, por seu corajoso posicionamento contra o ISIS, deveriam se perguntar o porque da Jordânia ser, tão frequentemente, o lar de refugiados de locais como a Palestina, o Iraque e a Síria. Eles deveriam se perguntar o porquê da Síria e do Iraque não poderem ter seu próprio “Rei Abdullah”, pois a resposta é que, facilmente, eles poderiam ter um! Na verdade, o Iraque e a Síria tiveram – até o que, hoje, é a Arábia Saudita teve – uma Monarquia Hachemita, após o fim da Primeira Guerra Mundial. Os hachemitas lideraram a revolta árabe contra os turcos e estavam destinados a governar os países recém-independentes, que nasceram da queda do Império Otomano. O Xerife Hussein de Meca reinou sobre a Arábia, como Rei do Hejaz, mas foi, mais tarde, destronado pela Casa de Saud, apoiada pelo Wahhabismo, que estabeleceu a Arábia Saudita como ela é hoje. Um de seus filhos se tornou o Rei Faisal I da Síria, tendo o Príncipe Zeid (outro filho) como Regente do Iraque, enquanto um terceiro filho se tornou o Rei Abdullah da Transjordânia. Os Hejaz caiu sob o domínio dos sauditas, o Reino da Síria foi derrubado pela República Francesa e seu Monarca, o Rei Faisal I, como alternativa, tornou-se Rei do Iraque. A Monarquia lá durou um pouco mais, mas, como já foi dito, foi perdida em um golpe de estado, em 1958, quando o Rei Faisal II e a Família Real foram brutalmente massacrados. Considero que qualquer observador honesto concordaria que ninguém se beneficiou dessas mudanças.

Existem, obviamente, aspectos únicos sobre o Oriente Médio, que fazem dele uma região particularmente difícil para se prosperar, nos dias de hoje. Contudo, da mesma forma que, hoje, as pessoas aplaudem o Rei Abdullah II e pedem por uma maior unidade e por algum tipo de coalizão árabe para se aniquilar o elemento terrorista, deveríamos chamar atenção para o fato de que tal já existiu, ainda que muito brevemente, no passado, e que poderia, de maneira concebível, ser recriada, desde que as pessoas e os governos estejam dispostos a seguir a fórmula que provou ser a mais bem-sucedida. Se as coisas continuarem do jeito que estão, ninguém sofrerá mais do que os árabes. Os rebeldes apoiados pela República Islâmica do Irã já derrubaram o Governo do Iêmen, o Governo eleito do Iraque é fortemente influenciado pelo Irã e o ditador da Síria e a poderosa facção do Hezbollah no Líbano são, praticamente, posses iranianas. Alguém está cercado aqui, e não são os Estados Unidos ou a Europa. Este não é a “luta de outra pessoa”, mas uma luta árabe, e os árabes devem, eles mesmos, agir, como o Rei da Jordânia vem fazendo. Outros poderes podem dar assistência, mas se quisermos paz e estabilidade reais e duradouras naquela região, algumas coisas devem mudar ou, para ser mais preciso, voltar a ser o que eram antes.

Tradução de artigo publicado pelo blog The Mad Monarchist, no último dia 7 Via Página no Facebook: Causa Imperial

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Sobre Francisco Santos

Francisco Santos é jornalista a mais de 5 anos, hoj é correspondente do Jornal Diário do Estado (Paraná), em seus momentos livres escreve para o Blog Alvo na TV, com colunas críticas, imparcial, profissional ao extremo e dedicad ao mundo da TV. É fundador e dono do Blog de defesa Guerra & Armas, que já conta com um crescimento considerável e esta prestes a se tornar um dos maiores Blogs de defesa do país, com compromisso e credibilidade o jornalista Francisco Santos mostra toda sua qualidade e amor ao que faz.

Publicado em 02/11/2015, em Internacional, Oriente Médio e marcado como , , , , , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 4 Comentários.

  1. mjito bem esclarrecido, uma verdadeira aula de historia. quanto mais se vive mais se aprende

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  2. Grande aula de historia. Com larga vantagem para os “jordanianos” o fato de eles não terem Petróleo. Se assim fosse seriam mais um ninho de serpente a instilar veneno neste mundo ja conturbado demais.

    Quando a vestir sua farda, acredito que é uma tirada inteligente e patriótica. Quem sabe se isso fosse tomado como exemplo por aqui também, por parte dos “líderes”. Ja pensou o Molusco de macacão de torneiro!? A P%$¨%*&t@ com uma farda de militante de esquerda!?

    Seria um bom motivo para os Generais fazerem a faxina por completo, algo que ficou por acabar a muitos anos atrás.

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  3. eadem@ig.com.br

    Sigamos o exemplo do rei Abdullah II da Jordânia, entremos nos nossos caças F-16 made in USA e partamos em velocidade supersônica parta bombardear os mercenários do ISIS pagos pela CIA e pelo MOSSAD. Na volta, sobrevoar a Síria e metralhar tudo o que estiver se mexendo. Se o presidente Assad cair, tanto melhor. Israel e EUA agradecem!

    Ah! Você pode aparecer na Globo e ter seus 15 décimos de segundo de fama!

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  4. Muito similar a comparação com a monarquia brasileira através da casa de Bragança, no qual o Brasil era estável e prospero e virou uma bagunça depois do golpismo republicano.

    Monarquia constitucional sempre foi e sempre será melhor que republica, não é atoa que 7 dos mais desenvolvidos países do mundo através do índice de desenvolvimento humano na ONU é monarquia e 9 das 10 países menos corruptos do mundo são monarquia e a única republica no meio é Cingapura (uma cidade-estado que usa sistema parlamentar).

    O povo escolheu como sempre errado na hora de votar, seja em plebiscito de 1993 ou eleição geral de 2014.

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