Após invasão de palácio, líder houthi critica presidente do Iêmen na TV

Iemitas assistem a discurso do líder houthi transmitido pela TV nesta terça-feira (30), depois que grupo tomou palácio presidencial  (Foto: REUTERS/Mohamed al-Sayaghi)

Em discurso ao vivo na TV, o líder do grupo Houthi, que tomou o controle da sede do palácio presidencial do Iêmen e atacou a casa do presidente, afirmou nesta terça-feira (20) que os dois dias de combates envolvendo seus homens faziam parte de uma tentativa de proteger um acordo de compartilhamento de poder cujo objetivo era devolver a estabilidade ao Iêmen.

Os enfrentamentos dos militantes do grupo Houthi nesta terça foram o segundo dia de violência em Sanaa e têm levantado temores de que o país possa mergulhar no caos. O grupo foi criticado pelo presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Abder-Malek al-Houthi, o líder do grupo, criticou repetidas vezes o presidente iemenita, Abd-Rabbu Mansour Hadi, um aliado dos EUA com quem tem se desentendido por causa de um novo projeto de Constituição, destinado a ajudar a encerrar décadas de conflito e subdesenvolvimento no país.

Miliciano houthi, grupo xiita, aparece armado em frente ao palácio presidencial de Sanaa, capital do Iêmen, nesta terça (20). (Foto: Khaled Abdullah/Reuters)

O líder disse que ninguém, incluindo Hadi, estava acima de qualquer intervenção quando o assunto era implementar o acordo de compartilhamento de poder, negociado depois que seus homens invadiram Sanaa em setembro. Houthi tem estima pelo acordo, pois ele dá ao seu grupo participação em todos os órgãos civis e militares.

“Nós… não vamos hesitar em impor qualquer medida necessária para implementar a paz e o acordo de parceria”, disse Houthi, cujo grupo muçulmano xiita é amplamente considerado um aliado do Irã em sua disputa regional por influência com a Arábia Saudita.

Tensões
O Iêmen está em uma situação instável desde a saída, em 2012, do ex-presidente Ali Abdullah Saleh.

A emergência dos houthis como principal fonte de poder no Iêmen, em setembro, provocou a dissolução de alianças e causou tensão por todo o espectro político da capital iemenita, levantando temores sobre uma instabilidade mais profunda no país, que abriga uma das ramificações mais ativas da Al Qaeda.

A ministra da Informação do Iêmen, Nadia al-Saqqaf, disse que os confrontos na casa de Hadi representavam uma tentativa de golpe contra o governo iemenita, acusação que um representante sênior do grupo Houthi nega.

Os enfrentamentos ocorreram após um dos piores confrontos dos últimos anos em Sanaa, na segunda-feira. Guardas leais a Hadi trocaram tiros de artilharia perto do palácio presidencial com os houthis.

“O presidente iemenita está sob ataque de milícias armadas que buscam derrubar o sistema de governo”, disse Saqqaf no Twitter nesta terça-feira à noite.

Moradores disseram mais tarde que os confrontos se acalmaram. Um representante do governo afirmou que duas pessoas morreram.

A ministra não identificou as milícias às quais se referia, mas afirmou que estavam disparando tiros de casas próximas. Hadi mora numa residência particular, e não no palácio presidencial.

Xiitas Houthi cercam o palácio presidencial em Sanaa, no Iêmen, na segunda-feira (19) (Foto: AP Photo/Hani Mohammed)

‘Provocação’
Mohammed al-Bukhaiti, integrante do núcleo central do Houthi, disse que o grupo não tinha planos para atacar Hadi.

“Ansarullah não tem intenção de ter o presidente Hadi como alvo em sua casa”, disse ele, usando o nome oficial do grupo.

Ele disse que o que aconteceu na casa do presidente foi resultado de uma “provocação” pela segurança de Hadi e que o incidente foi contido.

Conselho de Segurança
O Conselho de Segurança das Nações Unidas condenou o ataque contra o Palácio e a Residência presidencial do Iêmen e manifestou seu apoio ao presidente Abd Rabbo Mansur Hadi.

Em uma resolução, o Conselho destacou que Hadi é a “autoridade legítima” e pediu o “apoio de todos os partidos e atores políticos” do Iêmen ao presidente.

Em novembro passado, o Conselho impôs sanções contra Saleh e dois comandantes huthis por ameaçar a paz no país mais pobre da Península Arábica.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, solicitou mais cedo que todas as facções armadas no Iêmen cessem suas hostilidades, depois que milícias xiitas se apoderaram do complexo presidencial em Sanaa.

FONTE: G1

Publicado em 01/20/2015, em Notícias e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. eadem@ig.com.br

    Por que Israel não determina que seus escravos norte-americanos, franceses, ingleses, belgas e outros “paus mandados” intervenham na região e ponham ordem na casa? Os próprios judeus poderiam invadir àquela porcaria lá, matar duas ou três centenas de milhares de pobres-diabos e a “!paz” voltaria a reinar no pedaço.

    Enquanto isso aqui no riquíssimo, despreocupado e “pacífico” Brasil… habemus carnavalis…

    Curtir

  2. o Conselho impôs sanções contra Saleh e dois comandantes huthis por ameaçar a paz no país mais pobre da Península Arábica. (citação da matéria)

    Notou? o pais mais pobre…mas com armas de países mais ricos. Mais uns idiotas se matando com armas fabricadas pelos países ricos.

    Curtir

Esse espaço é para debate de assuntos relacionados ao Blog, fique á vontade para comentar!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: