Relatório é ‘absurdo’ em nome da causa socialista, diz Clube Militar

O Clube Militar, instituição formada por militares da reserva, classificou como “absurdo” o relatório final da Comissão Nacional da Verdade, entregue nesta quarta-feira (10) à presidente Dilma Rousseff. Para a entidade, o documento é uma “peça requentada porque só confirma bandeiras preexistentes na esquerda brasileira”.

 

COMISSÃO DA VERDADE

Em nota divulgada na tarde desta quarta, o presidente do Clube, general Gilberto Rodrigues PimenteL, afirma que o relatório da CNV é uma coleção de “meias verdades, calúnias e mentiras inteiras, embaladas com pedaços de verdade”. Para Pimentel, a divulgação do texto só confirma a “orientação socialista” dos membros da comissão. O general também classifica a Comissão da Verdade de “risível” e “parcial” (veja íntegra da nota ao final da reportagem).

“Das suas 29 recomendações, várias miram diretamente as Forças Armadas, como agentes do Estado. Nenhuma faz referência à ação dos terroristas, guerrilheiros, sequestradores e assassinos esquerdistas que tentavam tomar o poder à força e estabelecer no País um governo totalitário comunista de modelo soviético, chinês ou cubano”, diz trecho da nota.

“O ódio e o desejo de vingança são tão grandes que um absurdo desses é assinado por advogados, juristas e professores universitários. Tudo em nome da causa socialista. É peça requentada porque só confirma bandeiras preexistentes na esquerda brasileira”, continua.

A nota também afirma que a CNV foi criada para “alterar a Lei de Anistia parcialmente” para punir os agentes do Estado que “combateram e venceram as tentativas comunistas de tomada do poder no Brasil”.

Relatório final
O relatório final da Comissão Nacional da Verdade aponta 377 pessoas como responsáveis diretas ou indiretas pela prática de tortura e assassinatos durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985 (veja lista com os nomes dos 377).

Com 4.328 páginas, o documento consolida o trabalho da comissão, após dois anos e sete meses de audiências públicas, depoimentos de militares e civis e coleta de documentos referentes ao regime militar (consulte a íntegra).

Segundo o documento, a identificação da autoria dos crimes foi feita com base em documentos, depoimentos de vítimas e testemunhas, inclusive de agentes públicos que teriam participado da repressão. A CNV afirma no relatório que, devido à falta de documentos, relatos ou testemunhas, há nomes “conhecidos” não incluídos na lista porque não foi possível comprovar a participação deles em violações de direitos humanos.

O relatório faz recomendações ao governo, entre as quais a de que os apontados como responsáveis de cometer crimes contra a humanidade respondam na Justiça e a do reconhecimento pelas Forças Armadas da sua responsabilidade pelas violações de direitos humanos.

A responsabilização criminal, que implicaria rever a Lei da Anistia, de 1979, não foi unanimidade entre os conselheiros da comissão.

O tema já foi tratado pelo Judiciário em 2010, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou uma ação da Ordem dos Advogados do Brasil que pedia que fosse declarada inconstitucional a Lei da Anistia. Por maioria absoluta, o Supremo apoiou a tese que garantiu a validade da Lei da Anistia para os delitos cometidos pelos dois lados durante a ditadura militar, beneficando de forma recíproca tanto os agentes de estado quanto os que aderiram à luta armada contra a ditadura. Ao G1, ministros que participaram daquele julgamento questionaram a possibilidade de punição.

Veja íntegra da nota divulgada pelo Clube Militar:

RELATÓRIO REQUENTADO

A espúria Comissão Nacional da Verdade emitiu, finalmente, seu relatório.

Tratando-se de entidade que alterou a seu bel-prazer sua missão, o objeto da lei e o prazo em que ocorreram os fatos a investigar, tudo através de decisões internas, legislando em causa própria sem que os poderes desrespeitados reagissem, perdeu, na origem, a imparcialidade que devia orientar seus trabalhos e, consequentemente, sua credibilidade.

A finalidade da CNV, desde sua concepção, sempre foi uma só: alterar a Lei de Anistia parcialmente, de maneira que os agentes do Estado, que combateram e venceram as tentativas comunistas de tomada do poder no Brasil, não sejam protegidos pela dita Lei. Quanto aos angelicais terroristas, merecem toda a proteção e indenizações criadas ou a criar.

O relatório só poderia ser uma coleção de meias verdades, calúnias e mentiras inteiras, embaladas com pedaços de verdade cuja divulgação confirme a orientação socialista dos comissários.

Das suas 29 recomendações, várias miram diretamente as Forças Armadas, como agentes do Estado. Nenhuma faz referência à ação dos terroristas, guerrilheiros, sequestradores e assassinos esquerdistas que tentavam tomar o poder à força e estabelecer no País um governo totalitário comunista de modelo soviético, chinês ou cubano.

Entre as medidas sugeridas, destacam-se:

– o reconhecimento, pelas Forças Armadas, de sua responsabilidade pela ocorrência de graves violações de direitos humanos;
– responsabilidade jurídica – criminal, civil e administrativa – dos agentes públicos envolvidos no combate à guerrilha, deixando de aplicar, em relação aos mesmos,a Lei da Anistia e quaisquer outras disposições constitucionais ou legais que possam beneficiá-los!!! – ou seja, não podem invocar a lei vigente em seu benefício;
– proibição de realização de eventos oficiais em comemoração ao Movimento de 1964;
– reformulação dos concursos de ingresso e dos processos de avaliação contínua das Forças Armadas;
– modificação dos currículos das academias militares, para promoção da democracia e dos direitos humanos (por acaso os atuais são contrários a isso?);
– revogação da Lei de Segurança Nacional;
– desmilitarização das polícias militares estaduais;
– extinção da Justiça Militar estadual;
– exclusão de civis da jurisdição da Justiça Militar federal;
– criação de órgão permanente para dar prosseguimento aos trabalhos da CNV (ou seja, eternizar a CNV);
– prosseguimento e fortalecimento da política de localização e abertura dos arquivos da ditadura militar.

Três volumes e mais de duas mil páginas: um relatório que não apresenta grandes novidades e, em suas recomendações, insiste na adoção de medidas que implicam a retroação de leis para prejudicar o pretenso réu, a subordinação do ordenamento jurídico nacional às decisões de agências internacionais, e a absurda sugestão de que aos acusados não sejam aplicados a Lei da Anistia ou quaisquer outras disposições constitucionais ou legais que possam beneficiá-los.

Que espécie de proposta é essa, que nega o amparo da lei ao acusado, transformando-o em cidadão de segunda classe, ou selecionando a priori quais as leis que o mesmo pode invocar em sua defesa?

O ódio e o desejo de vingança são tão grandes que um absurdo desses é assinado por advogados, juristas e professores universitários. Tudo em nome da causa socialista.

É peça requentada porque só confirma bandeiras preexistentes na esquerda brasileira.

O relatório é tão risível e parcial quanto a CNV.

Gen Gilberto Rodrigues Pimentel – Presidente do Clube Militar

Fonte: G1

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Sobre Francisco Santos

Francisco Santos é jornalista a mais de 5 anos, hoj é correspondente do Jornal Diário do Estado (Paraná), em seus momentos livres escreve para o Blog Alvo na TV, com colunas críticas, imparcial, profissional ao extremo e dedicad ao mundo da TV. É fundador e dono do Blog de defesa Guerra & Armas, que já conta com um crescimento considerável e esta prestes a se tornar um dos maiores Blogs de defesa do país, com compromisso e credibilidade o jornalista Francisco Santos mostra toda sua qualidade e amor ao que faz.

Publicado em 12/10/2014, em Brasil, Exército, Política e marcado como , , , , . Adicione o link aos favoritos. 7 Comentários.

  1. eadem@ig.com.br

    Se como diz o texto desta reportagem o tema já foi tratado pelo Judiciário em 2010, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) julgou uma ação da Ordem dos Advogados do Brasil que pedia que fosse declarada inconstitucional a Lei da Anistia. Por maioria absoluta, o Supremo apoiou a tese que garantiu a validade da Lei da Anistia para os delitos cometidos pelos dois lados durante a ditadura militar, beneficiando de forma recíproca tanto os agentes de estado quanto os que aderiram à luta armada contra os governos militares, então não há o que se discutir e a tal Comandita Nacional da Veadagem pode e deve pegar seu groso relatório e enfiá-lo no fiofó dos membros dessa corja que não fará diferença alguma.

    Mas tem um detalhe: Se por acaso um só militar for punido por causa dessa comissão de veados, o Brasil é mesmo uma ditadura comunista e só restará a quem não for comunista pegar em armas e sair por aí detonando qualquer membro do atual governo e seus funcionários em franca contra-revolução e pela alegada volta do estado de direito ao Brasil.

    Ou seja: Fazer direito o mesmo que os incompetentes e fracassados “guerrilheiros” das esquerdas não souberam fazer contra os milicos. Caso sejam presos, poderão alegar na justiça o mesmo que os esquerdistas alegam para justificar todas as atrocidades que cometeram antes pelo Brasil a fora!

    Pensem nisto!

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  2. Nenhuma faz referência à ação dos terroristas, guerrilheiros, sequestradores e assassinos esquerdistas que tentavam tomar o poder à força e estabelecer no País um governo totalitário comunista de modelo soviético, chinês ou cubano”, diz trecho da nota. (citação da matéria)

    Voces ja cansaram a beleza dos ouvintes e blogueiros de toda sorte. Que tal começar fazendo alguma coisa. Ou ja estão pelo lado da “esquerda” também. Tão esperando eles pintarem o verde da Bandeira de cor VERMELHA???

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  3. Ezequiel Rodrigues de Oliveira

    Eu sou da época militar, a cada manifestação da população pedindo a intervenção militar este governo injusto e malígno vem com alguma coisa para comover os ignorantes e ambiciosos que estão interessados só na indenização, por que os direitos humanos não se lembra do mal que foi feito aos escravos negros, as mães e famílias que perderam seus filhos e ante queridos? Ninguém se preocupa com os milhares de pessoas que morrem diariamente nas mãos destes bandidos que apreenderam a se organizar por estes políticos que foram presos no regime militar?

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  4. Altomar Lima Junior

    Realmente é um absurdo!

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  5. antonio Roberto

    Quando nós veremos um reação a altura da afronta? Esse país está indo rapidamente para o caos e o povo foi imbecilizado de tal modo que não nota o caldeirão do inferno que está adiante, sou reservista com 30 anos consciente na situação do país e só vejo uma saída uma ação efetiva do poder que detém as armas e os meios para isso.

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  6. O exército precisa, urgentemente, divulgar os relatório sobre os terroristas que atuaram durante o REGIME militar. (Qual crime cada um deles cometeu).

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  7. Às vezes eu caio em alguns sítios da Internet por acaso e tenho que ter paciência. Citar o Clube Militar, também conhecido como “Clube do General de Pijama” já é um mal sinal e o resto do artigo segue o mesmo caminho. Oficiais do exercíto que querem comemorar o Golpe de 1964 (não só militar, mas civil) deveriam lembrar um detalhe. Gostem ou não Dilma Roussef é a sua comandante em chefe. Sabe como se chama um militar que conspira contra seu comandante ? Eu sei -TRAIDOR !!!. Os comentários são piores ainda: “Não aguento mais impostos” – Jura ? E um governo militar vai magicamente acabar com os impostos ? Chamar o Brasil de ditadura é outro absurdo. Vamos ver: Imprensa livre e majoritariamente anti-petistas. A oposição elegeu vários representantes, inclusive sua bancada no Congresso cresceu. O Judiciário condenou vários membros do partido do governo. A propriedade privada continua sendo respeitada dentro dos limites da Constituição. Cadé a “ditadura comunista” ????

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