CHENGDU J-10, o dragão chinês!

capaNa década de 1980 o então líder chinês e presidente da Comissão Militar Central (CMC), Deng Xiaoping, anunciou que o seu país iria garantir os investimentos para o desenvolvimento de uma nova aeronave de caça, que deveria rivalizar tanto com o F-16, quanto com o MiG-29.

Em 1982 representantes do governo, da força aérea e do corpo de aviação naval Chinês se reunirão em Pequim para discutir o conceito da nova aeronave e as exigências de desempenho inicial, porém, apenas em janeiro de 1984, a PLAAF (People’s Liberation Army Air Force) finalizou os requisitos para o novo caça, inicialmente identificado como Projeto 8610. Três propostas de projetos foram apresentadas por diferentes fabricantes chineses, que foram avaliadas pelo Ministério da Aeronáutica daquele país. Em maio de 1984, optou-se pelo modelo sugerido pela Chengdu Aircraft Design Institute (611 Aircraft Design Institute). A nova aeronave seria um delta canard, aerodinamicamente instável para fornecer um alto nível de agilidade e manobrabilidade, com baixo arrasto aerodinâmico, e deveria ser equipado com uma aviônica avançada, no estado a arte, incluindo um glass cockpit, HMS, HOTAS, GPS / INS, RWR, FBW quadruplex, sistema de gestão digital de combustível, barramento de dados MIL-STD-1553B, capacidade de fusão de dados e um novo radar com um alcance de 52 km a 148 km, com capacidade de rastrear 8 alvos simultaneamente.

Para o desenvolvimento do novo caça, os projetistas chineses usaram muitas informações utilizadas em um projeto do passado, repassadas pelos soviéticos quando a China oficialmente adquiriu o então Projeto Ye-8, de 1960, que foi uma tentativa de refinamento de design sobre a plataforma do MiG-21, com vistas a ganhar área livre na parte dianteira da aeronave para que pudesse ser instalado um radar novo e mais potente. Na época, devido aos grandes desafios tecnológicos envolvendo o projeto, os soviéticos optaram por cancelá-lo.

Projeto Ye-8 / Mikoyan-Gurevich Ye-8

Tendo o Projeto Ye-8 como referência, os chineses desenvolveram, a partir de 1973, a sua própria aeronave equipada com canard, que ficou conhecida como Projeto-33 / Projeto J-9V.

Projeto-33 / Projeto J-9V

Devido a dificuldades técnicas, este projeto seguiu o mesmo caminho que o seu equivalente soviético e acabou sendo cancelado.

De acordo com especialistas americanos, Israel teria contribuído para o desenvolvimento do J-10, vendendo o projeto cancelado da aeronave IAI Lavi. Acreditasse que China recebeu o software de controle de voo originalmente desenvolvido para o Lavi (Lavi “fly-by-wire”), pouco depois de seu cancelamento, apesar da negação de tal cooperação por ambas as partes. Há também suspeitas de transferência de algumas tecnologias do F-16 do Paquistão para a China como parte de um acordo de cooperação, o que também é negado por ambas as nações.

IAI LAVI

Em meados dos anos 90, a Rússia envolveu-se no desenvolvimento do J-10, vendendo o projeto do motor Liulka-Saturn AL-31F para testes iniciais. O Chengdu J-10 voou pela primeira vez em 22 de março de 1998, pilotado pelo piloto de teste Lei Qiang.

Em 1990, o projeto do J-10 enfrentou um grande retrocesso porque a China não conseguiu obter assistência tecnológica crucial dos países ocidentais, resultado do embargo imposto pelos Estados Unidos e União Européia, devido ao Massacre da Praça da Paz Celestial, ocorrido em 1989. A principal dificuldade era produzir um motor eficiente para suas aeronaves de combate. Em meados dos anos 90, a Rússia envolveu-se no desenvolvimento do J-10, vendendo o projeto do motor Liulka-Saturn AL-31F, e abrindo a possibilidade de fornecimento de outros sistemas como radares, sistemas de navegação e orientação, suíte de contramedidas eletrônicas ECM e contramedidas descartáveis Chaff & Flare.

Em 1993, testes em túnel de vento realizados com um modelo de metal em escala real revelaram problemas potenciais de desempenho e estabilidade em baixas velocidades, o que forçou aos projetistas rever alguns pontos cruciais do projeto. Soluções aerodinâmicas foram incorporadas e em 1995 os chineses admitiram pela primeira vez terem recebido apoio de Israel no desenvolvimento da aeronave.

j-10_and_lavi

O primeiro protótipo do J-10 foi concebido para voar entre 1995-1996. A ideia era que primeiro voo ocorresse com o motor chinês WS-10 (desenvolvido com base no Liulka-Saturn AL-31F). Problemas com o desenvolvimento do “novo motor” fizeram com que os chineses redesenhassem fuselagem traseira da aeronave para acomodar o motor AL-31FN, importado da Rússia. Em meados de 1996, o primeiro protótipo, 1001 Red, teria feito seu primeiro voo propulsado pelo motor russo.

Primeiro protótipo do J-10, 1001 Red, voou pela primeira vez em meados de 1996.

Vários protótipos do novo caça foram construídos. A aeronave 1002 Red foi a primeira equipada com aviônica completa. Tragicamente, no final de 1997, devido a uma falha do sistema “fly-by-wire”, o caça foi perdido num acidente.

Apenas em 23 de março de 1998, com o voo do terceiro protótipo chegou-se à conclusão que todos os problemas preliminares haviam sido corrigidos. Ao comando da aeronave estava o piloto de testes Lei Qiang.

Os quarto e quinto protótipos foram utilizados para testar o sistema de armas, já o sexto protótipo, 1006 Red, para avaliar a eficácia do sistema de reabastecimento em voo.

Os voos de teste prosseguiram com sucesso até o final do ano 2000, com os protótipos acumulando mais de 140 horas de voo. No verão daquele ano foi realizado o primeiro teste bem-sucedido do assento ejetor para o J-10.

J-10 2

Em 2001, a fim de motorizar o lote inicial de aeronaves, a China efetuou a compra de 54 motores AL-31FN, que foram entregues entres pelos russos entre 2002 a 2004. Em 28 de junho de 2002 ocorreu o primeiro voo do J-10 de pré-produção. A produção de pequenos lotes de aeronave começaria logo após. Em agosto do mesmo ano, a PLAAF declarou que o J-10 havia alcançado a IOC (initial operational capability – capacidade operacional inicial), e, em 10 de março de 2003 o caça entrou oficialmente em serviço com a força aérea chinesa.

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No verão de 2003, o J-10 realizou sua primeira simulação de reabastecimento aéreo, já com uma aeronave de produção.

J-10 REVO

No dia 26 de dezembro de 2003 a variante de treinamento biplace J-10S, de produção, fez o seu primeiro voo.

J-10

Em dezembro do mesmo ano, foi realizado com sucesso o primeiro lançamento de um míssil ar-ar de teste a partir da aeronave.

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Em 2005 a variante biplace J-10S completou os testes de voo e recebeu seu certificado de design.

Em julho de 2005, a China encomendou junto aos russos uma remessa adicional de 100 motores AL-31FN no valor de US$ 300 milhões. Àquela altura, a produção das aeronaves estava sendo realizada a uma taxa de 2 a 3 unidades por mês.

Em novembro de 2006, a mídia estatal chinesa anunciou que o J-10 encontrava-se operacional junto à PLAAF desde agosto de 2002, e, em 29 de dezembro do mesmo ano, a nova aeronave foi apresentada oficialmente.
Em novembro de 2008 o J-10 participou do Zhuhai Air Show, se apresentando ao publico no show aéreo. Àquela altura, os chineses já estavam no estágio final de desenvolvimento da segunda versão do caça, o J-10B, que recebera, além de vários refinamentos de design, a adição de novos instrumentos.

O J-10B foi apresentado em março de 2009, 3 meses após o seu voo inaugural em dezembro de 2008.

As primeiras imagens da nova aeronave indicam o J-10B com uma nova configuração do nariz, com um rastreador infravermelho, e uma nova tomada de ar supersônica.

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De acordo com analistas militares, “o nariz inclinado do avião imediatamente levantou especulações de que o J-10B contaria com uma nova antena de radar”, o que foi confirmado em 2011″. Segundo informações, o radar AESA incorporado no J-10B permite ao caça rastrear seis alvos e engajar quatro deles simultaneamente. O ponto chave é que o J-10B é declaradamente um caça de 4+ geração e que incluiu também os sistemas e um cockpit atualizado para guerra eletrônica, e, segundo o fabricante, foi desenvolvido para se contrapor aos caças americanos F-16 E/F Block 60/62, F/A-18 E/F SH, MiG-35, Eurofighter Typhoon, Dassault Rafale e Saab Gripen, tendo sido definido como o padrão de produção e exportação do J-10.

Alem do radar, o J-10B é equipado com um sensor eletroóptico de busca infravermelho IRST e um designador lazer, desenvolvidos pela Sichuan Changhong Electric Appliance Corporation, que é baseado no sistema OLS-27 (Izdeliye 36Sh) do SU-27, e possui um alcance máximo de 75km.

O J-10B teve como principal objetivo a redução de sua assinatura de radar, para tanto o mesmo sofreu diversos refinamentos que vão desde extensa utilização de materiais compostos e RAM absorventes na estrutura, fuselagem e faces do motor, refinamentos aerodinâmicos que visam deixar a forma da aeronave mais limpa, com o mínimo possível de superfícies refletoras, antena AESA inclinada para cima, visando a deflexão das emissões magnéticas para outra direção que não a da fonte emissora, e, a mais importante delas a substituição do difusor móvel que continha diversas superfícies refletoras, por um fixo ovalado em forma de V, que foi projetado para defletir as emissões magnéticas para outra direção que não a da fonte emissora, reduzindo assim significativamente a assinatura da aeronave. O grande trunfo deste novo difusor fixo, no entanto, é que o mesmo esconde a face do motor, eliminando assim a maior fonte de eco de radar desta aeronave no setor frontal.

O J-10B é propulsado por um motor Liulka-Saturn AL-31FN M1 com 132.5kN com pós combustão, este motor possui um sistema de vetoração de empuxo TVC 3D, o que eleva a manobrabilidade do J-10B a níveis excepcionais. O AL-31FN M1 utiliza um sistema de gerenciamento eletrônico FADEC, que gerencia todos os parâmetros de funcionamento e desempenho, o que torna sua operação bem mais segura e eleva sua vida útil, evitando desgastes desnecessários. O J-10 também poderá ser equipado com a turbina de fabricação nacional Shenyang WS-10 com 132KN com pós combustão. Segundo divulgado pela mídia estatal chinesa, já existe pelo menos um esquadrão da aeronave equipado com motor nacional WS-10.

O J-10B sai da fabrica programado para operar mísseis russos e chineses, porem armamentos de outras origens podem ser facilmente integrados ao caça graças ao barramento de dados MIL-STD-1553B, compatível com o padrão ocidental. O armamento padrão do J-10B são os mísseis WVR R-73, PL-8, PL-9 e PL-10, para o cenário BVR as opções também são fartas R-77, PL-11, PL-12 e, futuramente, o novo PL-21. As armas ar-superfície são bombas guiadas a laser, bombas não guiadas, foguetes e os mísseis C-801/YJ-8 e C-802/YJ-82, além do míssil antirradiação YJ-91, cujo alcance máximo é 120 km.

O J-10 possui um canhão de 23 milímetros montado internamente, cuja cadencia de tiro varia entre 3.000 a 3.400 tiros por minuto, e fica localizado ao lado da porta do trem de pouso dianteiro.

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A aeronave possui capacidade para transportar 4.500 kg de mísseis, bombas, foguetes, pods e tanques externos, distribuídos em 11 pontos fixos, sendo três em cada asa e cinco sob a fuselagem. O J-10 pode ser equipado com 3 tanques externos, um tanque de 800 litros para a estação central e dois tanques de 1.700 litros em cada asa, totalizando 4.200 litros de combustível externo. Os dois pontos fixos na parte frontal da fuselagem podem ser utilizados para o transporte de mísseis e pods. A aeronave possui uma capacidade máxima de combustível interno de 4.950 litros, compreendendo 3.180 litros nos tanques das asas e 1.770 litros nos tanques de fuselagem. O J-10B futuramente poderá ser equipado com tanques conformais (CFT – conformal fuel tank).

 

FICHA TÉCNICA
Velocidade de cruzeiro: Mach 0.95
Velocidade máxima: Mach 2.2
Razão de subida: 15.000 m/min
Potencia:0.95
Fator de carga:9Gs
Taxa de giro: 24º/s
Taxa de rolamento: 270º/s
Raio de ação/ alcance: 600 km/ 1300km
Alcance do Radar: 100 km a 160 km dependendo da versão
Empuxo: 1 X AL-31FN M1 com 13.250 KGF
DIMENSÕES
Comprimento: 14,57 m
Envergadura: 8,78 m
Altura: 4,78 m
Peso vazio: 9.800 Kg
Peso máximo de decolagem: 19.300 Kg
ARMAMENTO
Ar-Ar: WVR R-73, PL-8, PL-9 e futuramente o novo PL-10, BVR R-77, PL-11, PL-12, PL-21
Ar-superficie: C-801/YJ-8, C-802/YJ-82, míssil anti radiação YJ-91.
Bombas guiadas a laser 500kg e 250 kg, bombas de uso geral.
Canhão interno: 23 milímetros

J-10S

Segundo informações ainda não confirmadas, o fabricante estuda desenvolver uma versão nasalizada do caça, J-10C, para utilização embarcada.

Atualmente a China encontra-se em processo de obtenção das licenças nacionais que permitirão ao país exportar a aeronave. Estima-se em US$ 60 – 70 milhões o valor unitário do caça, na modalidade fly-away.

De acordo com informações da imprensa especializada, porém em números não efetivamente confirmados, existem cerca de 300 aeronaves J-10 em operação com a PLAAF. Levando-se em consideração as quantidades declaradas de motores encomendados junto ao fornecedor russo, estima-se que aproximadamente 20% desse total já esteja equipado com o motor nacional WS-10

 

 

TEXTO: LaMarca – Edição: CAVOK

FONTE: Chinese Aircraft: China’s Aviation Industry Since 1951, by Yefim Gordon (Author) and Dmitriy Komissarov (Author)

IMAGENS: Coleção particular do autor e internet.

Sobre Francisco Santos

Francisco Santos é jornalista a mais de 5 anos, hoj é correspondente do Jornal Diário do Estado (Paraná), em seus momentos livres escreve para o Blog Alvo na TV, com colunas críticas, imparcial, profissional ao extremo e dedicad ao mundo da TV. É fundador e dono do Blog de defesa Guerra & Armas, que já conta com um crescimento considerável e esta prestes a se tornar um dos maiores Blogs de defesa do país, com compromisso e credibilidade o jornalista Francisco Santos mostra toda sua qualidade e amor ao que faz.

Publicado em 09/27/2014, em China e marcado como , , , , , . Adicione o link aos favoritos. 2 Comentários.

  1. eadem@ig.com.br

    Que bom! Os chineses progrediram e pelo visto, poderão fazer frente à maior parte das aeronaves norte-americanas… desde que a China entenda que mais importante que o desempenho do avião, é os pilotos serem exaustivamente treinados de modo a serem melhores que os dos inimigos.

    Mais ou menos como os alemães foram os melhores pilotos do mundo entre 1939 e 1945.

    O outro problema é a produção dos aviões e manter sempre alto o s estoques de combustíveis, senão nem adianta ter uma força aérea!

    Foi o maior “pacado” alemão: Tinha os aviões, até os pilotos, mas não tinha combustível, se ferrou e paga reparações de guerra aos parasitas judeus até os dias de hoje!

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  2. FERNANDO VERAS

    PARASITAS? EU ACHO QUE VC DEVE TER LIDO O PRIORADO DE SIAO P TER ODIO DE JUDEUS A TAL PONTO E O HOLOCAUSTO FOI UMAS DAS PIORES ATROCIDADES JUNTO COM O HOLODOMOR E O PROJETO JAPONES DA SEGUNDA GUERRA .

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