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Brasil já faz parte de seleto grupo de países com submarinos nucleares

Os submarinos são uma parte fundamental do esforço do Brasil para construir uma Marinha moderna, que possa defender seu petróleo e os interesses comerciais no Atlântico Sul, uma região há muito dominada pelas Marinhas britânica e norte-americana. É também um renascimento do desenvolvimento nuclear militar brasileiro, que foi interrompido em 1990 com o fim do programa de bomba atômica do país. Dilma indicou, em seu discurso, que a construção de um submarino nuclear coloca o Brasil mais próximo de alcançar o objetivo de conquistar uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU, um grupo ao qual o país aspira se juntar. “Podemos dizer que, de fato, com ela nós entramos no seleto grupo que é aquele dos integrantes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, únicas nações que têm acesso ao submarino nuclear, Estados Unidos, China, França, Inglaterra e Rússia”, disse Dilma em discurso na cerimônia de inauguração da fábrica. “Acredito que nós podemos afirmar com orgulho que o programa de desenvolvimento de submarinos é uma realidade”, acrescentou. EUA, Rússia, Grã-Bretanha, França e China são os únicos países com capacidade para construir submarinos nucleares.

A Marinha indiana tem um submarino de ataque de propulsão nuclear, o INS Chakra, que foi arrendado da Rússia, e a Índia está construindo um submarino nuclear com tecnologia própria que deve estar em funcionamento até 2015. Segundo Dilma, apesar de o Brasil viver em profunda paz com todos os vizinhos e de não fazer disputas bélicas, existe a consciência de que o mundo é complexo, e que o Brasil assumiu nos últimos anos uma extrema relevância. “Isso (ser pacífico) não nos livra de termos uma indústria da defesa e termos toda uma contribuição a dar na garantia de nossa soberania e nos inserirmos cada vez de forma mais pacífica… no cenário internacional”, disse. A Marinha do Brasil salientou que o sistema de propulsão nuclear será construído com tecnologia inteiramente nacional, que não foi transferida pela França. “Eu gostaria de louvar um fato que é muito importante. Uma indústria da defesa, como disse o ministro (da Defesa) Celso (Amorim), é uma indústria da paz. Mas eu acho que a indústria da de defesa é sobretudo uma indústria do conhecimento. Aqui se produz tecnologia, aqui tem também um poder imenso de difundir tecnologia. É isso que em outros países a indústria da defesa faz”, acrescentou Dilma. Reuters

 

Exército Brasileiro

O submarino verde-e-amarelo – O Tikuna tem equipamentos de ponta desenvolvidos no Brasil

Rápido e silencioso, ele é o guarda-costas perfeito para os 8,4 mil quilômetros de costa marítima do Brasil. O Tikuna incorpora inovações tecnológicas que lhe garantem melhor desempenho, menor ruído e maior período de submersão. A etiqueta Made in Brazil confirma o país no seleto grupo de quinze nações com capacidade de fazer submarinos e permite que seja plataforma de construção e reparo para clientes da América do Sul e da África

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Navegar em submarinos é antes de tudo um exercício de adaptação a pequenos espaços.Algo como viver feito sardinha em lata.Não é sem motivo que o cinema gosta de explorar as tensões que surgem entre pessoas confinadas num artefato de metal, sem poder ver a luz do sol e cercadas por muitos milhões de metros cúbicos de água.Todo cuidado é pouco quando se trata de passar dias submerso. O capitão-de-fragata Francisco Antonio de Oliveira Júnior, comandante do Tikuna, o mais novo submarino brasileiro,passa a vida em estado de alerta. Sua audição aguçada está sempre procurando qualquer leve barulhinho na mais ínfima parte do submarino. E são muitas,muitas partes.Só as válvulas são incontáveis,mas Oliveira Júnior é capaz de dizer como cada uma delas está operando.

O S34-Tikuna,quinto submarino a compor a frota brasileira,não é nuclear, como o Seaview, comandado pelo almirante Harrigan Nelson, do seriado de TV Viagem ao Fundo do Mar.Ele é do tipo convencional,movido a bateria. Contudo,obviamente,não se trata de bateria comum. Em cada uma há 480 elementos. E as baterias são um dos golfiitens de tecnologia nacional embarcados no submergível.

Embora construído no Brasil,o Tikuna é um projeto adaptado do modelo alemão IKL-209.Por isso, seu nome oficial é IKL-209-1500.Sua história começou em 1982, quando a Marinha brasileira assinou um contrato com o consórcio alemão Ferrostaal/Howaldtswerke Deutsche Werft (HDW), responsável pela construção do primeiro submarino no mundo, em 1850.

Os engenheiros navais brasileiros projetaram diesel – gerador espotentes e eficientes, que reduziram o tempo de recarga das baterias O submarino brasileiro é extremamente silencioso, resultado de tecnologia nacional. A tripulação do Tikuna consegue ouvir um golfinho se aproximando

O negócio previa a construção de dois navios. O primeiro feito na Alemanha, com acompanhamento de técnicos brasileiros, e o segundo fabricado no Brasil, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Foi assim que surgiram o submarino Tupi, de 1989,e o Tamoio, lançado seis anos depois. Posteriormente, foram fabricados mais dois, evoluções do modelo inicial, e por isso considerados da família Tupi (veja a tabela abaixo que mostra as caraterísticas da frota brasileira de submarinos). O Tikuna é o mais novo integrante da família. “É uma espécie de classe intermediária, com peculiaridades básicas do alemão IKL 209/ 1400, mas muito melhorado nos aspectos operacionais”, informa o engenheiro naval Irineu Franco, que trabalhou na primeira fase do programa.

Indiscrição As diferenças são grandes e foram concebidas por engenheiros brasileiros.Das modificações introduzidas, a que mais se destaca diz respeito às baterias.Elas descarregam à medida que são usadas,e precisam ser recarregadas, como qualquer bateria. Mas a recarga é feita por dínamos movidos por motores a diesel,cuja combustão interna precisa de ar. Então, para a recarga, é necessário que pelo menos o mastro do submarino esteja na superfície.Esse é um momento perigoso,pois a embarcação fica exposta à detecção visual e de radar – razão pela qual é tão importante a redução do tempo de carga. Os engenheiros navais brasileiros projetaram diesel-geradores mais potentes e mais eficientes, com o que chamam de “menor taxa de indiscrição”, ou seja,menor tempo de exposição visual.

Mas não é apenas por meio da visão que se detecta a presença de um submarino. Muitas vezes a embarcação se revela pelo ruído que produz.A arte de construí-los tem muito a ver com a capacidade de manter silêncio no ambiente aquático, em que o som se propaga rapidamente. Os brasileiros reduziram o nível global de barulho irradiado. Suavizaram as linhas do casco para que gerasse menos ruído hidrodinâmico, provocado pelo deslocamento de água.Dizem os tripulantes que, quando ficam quietos, podem ouvir até golfinhos se aproximando.O Tikuna é imperceptível, mais discreto por curtos períodos se comparado a um submarino nuclear. No conflito que envolveu Argentina e Inglaterra pelo controle das Ilhas Malvinas, em 1982,os submergíveis ingleses alijaram do cenário os navios argentinos. Se contasse com bons submarinos convencionais, a Marinha argentina poderia ter defendido melhor suas embarcações.

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O Tikuna leva uma tripulação de sete oficiais e 29 praças.Possui oito tubos de torpedo e é movido por propulsão diesel-elétrica, com motor elétrico,baterias e conjuntos de motores diesel-gerador. Sua construção permitiu ao Brasil dominar o ciclo “projeto, construção e reparação”,o que é positivo,já que o processo de fabricação de submarinos estimula o desenvolvimento de novas tecnologias para a indústria naval e beneficia outros setores, além de aumentar a geração de empregos.

tecnologia4_48O Tikuna proporcionou ao país o domínio do ciclo “projeto, construção e reparo” de submarinos, que, entre outros benefícios, estimula a indústria naval

Tikuna é o nome de uma das tribos indígenas mais guerreiras e persistentes do Brasil,motivo pelo qual foi escolhido para identificar o submarino que levou dez longos anos para ficar pronto.Nesse período, subforam gerados 402 empregos diretos e 2,1 mil indiretos, para militares e civis.

Tecnologia Construir um submarino,mesmo que convencional, é privilégio de poucos. No mundo, apenas quinze países têm a capacitação tecnológica necessária.No hemisfério sul,atualmente,somente o Brasil mantém um programa de construção em andamento, o que qualifica o país para a execução de outros projetos navais.”O Brasil é candidato a ser plataforma de construção e reparo de submarinos de água rasa, podendo exportar para países da América do Sul, da África e mesmo para as nações desenvolvidas que se especializaram em submarinos de águas profundas”, diz José Carlos Miranda, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento.

Embora o Tikuna seja o maior submarino brasileiro, não se deixe enganar. Os 62 metros de comprimento desse charuto metálico até que parecem razoáveis,mas os 6,2 metros de diâmetro são preenchidos por tubulações,máquinas, sistemas, radares e um sem-número de aparatos. Por vezes, sobra apenas meio metro de largura para que os tripulantes caminhem nas instalações. Isso se ninguém quiser se aventurar pela sala de máquinas, onde para alcançar determinados cantos é preciso abaixar.

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O lugar mais espaçoso da embarcação é a proa,onde estão abrigados os enormes torpedos. Por ironia, é justamente lá que todos costumam se reunir para o lazer – quando não estão em missão, é claro.O motivo é simples: o espaço permite relaxar um pouco,mesmo ao lado de torpedos, e é ali que fica a sala de televisão. Contudo, numa situação real de conflito ou treinamento, o local é bem perigoso. Basta lembrar que o submarino russo Kursk afundou em 2000, com 118 tripulantes a bordo, exatamente porque um torpedo defeituoso explodiu na proa após um treinamento.

O escritor Júlio Verne não estava brincando quando deu status de monstro ao submarino Nautilus comandado pelo Capitão Nemo, no longínquo ano de 1870, em seu livro Vinte Mil Léguas Submarinas. O capitão-tenente Aurélio Linhares descreve o submarino como um enorme cetáceo de aço que mergulha despercebido nas águas e delas emerge – ou nelas permanece obscuramente para sempre.A vida a bordo, para ele, é um rosário de pequenos e diários sacrifícios: “Cada um tranqüilo em seu posto.Mas a tensão nervosa está presente. Escutam-se todos os ruídos, checando se são normais.Acompanham- se todas as inclinações e os adernamentos, analisando-os para que não se agravem nem se prolonguem.Aspiram-se todos os odores: um curto-circuto na instalação, um derramamento de ácido. Há os que acompanham os manômetros, os grupos, a profundidade, as pressões…Na manobra e no cuidado de um pode estar a vida de todos”.

Diferente do famoso yellow submarine (“submarino amarelo”, em português) criado pelo grupo inglês The Beatles, no Tikuna não há escotilhas.A sensação de clausura submarina é real.”O ar é renovado por um sistema chamado esnorquel, tanto para carregar baterias como para a respiração dos tripulantes”,esclarece o comandante Oliveira Júnior.A embarcação sobe a uma profundidade suficiente para que o periscópio alcance a superfície e iça um mastro que suga ar com diesel-geradores. Um submarino convencional faz isso sempre que a carga de sua bateria cai a determinado nível. Quando sobe à tona por completo, oferece uma oportunidade única para os fumantes. Sim, isso mesmo, por incrível que pareça,existem tripulantes que conseguem conciliar o vício com a profissão de submarinista.

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Mercado O próximo passo na indústria brasileira deve se dar ainda neste ano.Será um contrato de construção e modernização de submarinos firmado com a siderúrgica alemã ThyssenKrupp,por meio de sua subsidiária ThyssenKrupp Marine Systems.O projeto em discussão prevê a entrega do submarino num prazo de sete anos após a assinatura do contrato e envolve também a instalação de uma siderúrgica no Rio de Janeiro, sede do Arsenal da Marinha. O investimento total será de 1,08 bilhão de euros.Assinado o contrato, os trabalhos começarão no início de 2007.Além do novo submergível (classe 214),de 1,5 mil toneladas de deslocamento, haverá modernização nos outros cinco.O acordo pressupõe a transferência de tecnologia,o que capacitará definitivamente o Brasil a construir,modernizar e exportar submarinos para outros países.

O mercado esperava que a Marinha tivesse optado pela construção de um submarino com o sistema AIP (air independent propulsion, em inglês, ou “propulsão independente do ar”, em português), que poderia navegar entre Porto Alegre e Recife, durante duas semanas,sem ligar os motores a diesel, permanecendo praticamente imperceptível a qualquer sonar.Mas o alto custo definiu a decisão a favor do modelo convencional sem AIP.

“Para 2007, o comando da Marinha já tem assegurados 301,7 milhões de reais para a construção de submarinos e outros 208,5 milhões de reais para sua modernização”, informa o senador Siba Machado (PT-AC), que participou da aprovação dos recursos na revisão do Plano Plurianual 2004-2007, pela Comissão Mista de Orçamento do Congresso Nacional.

tecnologia7_48Os equipamentos são tantos que sobra pouco espaço para movimentação dentro do submarino. Os profissionais devem ter boa capacidade de autocontrole

Espera-se que o projeto gere 4 mil novos empregos, além de incentivar a criação A tripulação do Tikuna conseg ue ou v ir um golf inho se aproximando de um complexo industrial de fornecedores de componentes. A experiência do Tikuna mostra que isso é possível.A construção do submarino promoveu progressos, inclusive,em algumas atividades paralelas, como o Laboratório de Som do Centro de Instrução de Submarinos e Mergulho (Ciama),na Ilha de Mocanguê, em Niterói, no Rio de Janeiro. Ali está em elaboração um banco de dados de sons e ruídos do ambiente marinho, gravados e registrados para utilização no treinamento de submarinistas e no teste de peças e equipamentos.

O submarino nuclear tem muitas vantagens, entre elas a possibilidade de submersão por até três anos, o que é positivo do ponto de vista estratégico, embora resulte em enorme desgaste para os tripulantes. Seu combustível, no entanto, gera muita polêmica e oposição, principalmente por parte de organizações preocupadas com a preservação ambiental. Essas e outras razões explicam o porquê de o Brasil não dedicar maior esforço à construção de seu modelo nuclear.”Resta saber qual a tripulação que permanecerá três anos submersa e quantos submarinos podem ser fabricados com os recursos necessários para completar a construção do submarino atômico”,pondera o coordenador da Campanha Antinuclear do Greenpeace,Guilherme Leonardi. Por outro lado, a máquina daria ao Brasil capacidade de atuação global e aumento do poder de dissuasão, um incentivo à solução pacífica de conflitos. Na ausência de necessidade, o Tikuna segue silenciosamente patrulhando a extensa costa do país.

 

Fonte: Ipea/Governo Federal

Brasil retira do Haiti tropa enviada para ajuda humanitária pós-terremoto

Parou de trabalhar nesta sexta-feira (12) o batalhão que o Brasil enviou ao Haiti para atuar na distribuição de ajuda humanitária após o terremoto de janeiro de 2010, que deixou cerca de 300 mil mortos e 3 milhões de desalojados.

A tropa, composta por 769 homens, havia sido convocada pela ONU em resposta ao envio imediato, pelos Estados Unidos, de mais de 4 mil marines para impedir uma onda de insegurança após a tragédia. Os soldados foram adicionados a outros mil que o Brasil já possuía na missão de paz no Haiti (Minustah) desde 2004.

Batalhão do Exército enviado para ajuda humanitária começa a desmobilização (Foto: Brabatt2/Divulgação)Batalhão do Exército enviado para ajuda humanitária após o terremoto para o Haiti começa a retirar tendas (ao centro) onde soldados viviam desde 2010 (Foto: Brabatt2/Divulgação)

Atualmente o Exército possui 1.910 soldados no Haiti, divididos em dois batalhões de infantaria e uma companhia de engenharia de 250 soldados.

O Batalhão 1, que é fixo e responsável por fazer a segurança na capital, tem 900 homens. O Batalhão 2, de ajuda humanitária, tem 769. Como já estão trabalhando há 6 meses no Haiti, todos os soldados do Batalhão 2 retornam ao país a partir de abril.

Entre junho e julho, quando haverá troca também do Batalhão 1, o Brasil vai enviar um efetivo reforçado: ao invés de 900, irão 1.200 soldados. A companhia de engenharia fica igual. A redução, no total, será de 460 homens.

“Com a melhoria da situação de segurança, a ONU resolveu retirar parte dos soldados adicionais mandados por vários países para apoiar o Haiti após o tremor.  A nossa missão, de ajudar a manter um ambiente seguro e estável, foi cumprida, e estamos começando o processo de desmobilização. A retirada será gradual a partir do dia 12, quando a tropa para de fazer operações”, disse o coronel José Mateus Teixeira Ribeiro, porta-voz do batalhão 2 do Brasil no Haiti.

“Quando o batalhão foi criado, a situação era crítica, havia milhares de desabrigados nas ruas e os campos de deslocados tomavam a capital, Porto Príncipe. Nestes três anos, houve significativa redução do número de pessoas morando em tendas temporárias. Percebe-se novas construções, prédios públicos e privados sendo erguidos, uma melhoria na expectativa de desenvolvimento do país e condições para gerar emprego em diversos setores”, acrescenta o oficial.

O terremoto de 2010 levou ao chão cerca de 70% das escolas e delegacias do país, destruiu o Palácio Nacional, sede do governo, e derrubou a Penitenciária Nacional, fazendo com que mais de 1.400 detentos fossem para as ruas. Na sequencia, a falta de higiene, de atenção à saúde básica da população e a insalubridade provocada pelos destroços pelo país permitiram que uma epidemia de cólera infectasse mais de 520 mil pessoas e causasse cerca de 7 mil mortes em três anos, segundo a Organização Panamericana da Saúde (OPS).

Exército haiti (Foto: José Mateus Ribeiro/divulgação)

Dias após a tragédia, a ONU decidiu aumentar em 4 mil homens o efeito da missão de paz. Em outubro de 2012, constatando melhorias na situação do país, o Conselho de Segurança entendeu que 3,2 mil já podiam deixar o Caribe.

“O Haiti apresenta um crescimento visível. Há construção de pontes, mais áreas urbanizadas e asfalto sendo levado para o interior do país. A região ao redor do aeroporto também tem maior número de indústrias e comércio, e a polícia haitiana também forma a cada ano mais homens. A tropa de reforço para ajuda humanitária atendeu bem a sua necessidade na época, mas agora não é mais necessária”, acredita o coronel.

O batalhão do Brasil que está voltando fazia a segurança de quatro regiões da capital do Haiti, Porto Príncipe (Forte Nacional, Bel Air, Waff Geremie e Village de Dieu), que agora serão absorvidas por soldados de outros países que integram a missão da ONU.  Os soldados também apoiavam ações do governo e de entidades ligadas à ajuda humanitária, como a distribuição de água e comida à população.

Exército haiti (Foto: José Mateus Ribeiro/divulgação)

Canadá sob comando do Brasil
A atuação do Exército no Haiti fez com que o Canadá se interessasse em incorporar um pelotão de 34 homens à tropa brasileira. Um pelotão do Paraguai já participa há alguns anos da missão de paz integrando a tropa brasileira. O comandante de todos eles será um coronel brasileiro.

“O próximo contingente (que chega em junho ao Haiti) terá oficiais do Canadá participando do Estado-Maior (um órgão de comando da unidade) e também soldados, para permitir uma troca de experiências”, diz Ribeiro.

Em 2012, a ONU elaborou um plano retirar gradualmente, até 2016, os 7.700 soldados e 1.278 policiais que atuam na missão de paz, entendendo que já houve redução da criminalidade e já existem melhores condições de vida para a população. A mudança da missão nos próximos três anos dependerá de uma avaliação anual de fatores como desenvolvimento econômico, político e social, manutenção da situação de segurança e aumento do efetivo policial.

 

G1

Brasil compra arma antiaérea para Copa das Confederações e Papa

O Brasil comprou um sistema de artilharia antiaérea alemão, composto por 34 carros de combate Gepard capazes de abater mísseis, aviões, helicópteros ou drones (aviões não tripulados) a até 15 km de distância e até 3 km de altitude, para garantir a segurança dos grandes eventos.

Os blindados são usados, pertencem ao Exército da Alemanha, e sofreram uma remodelação, tendo sido “recuperados” em 2010, recebendo novas tecnologias que podem operar até 2030.

“O contrato será assinado ainda nesta semana ou, no máximo, na próxima (até o dia 19)”, afirmou o comandante da Brigada de Artilharia Antiaérea, general Marcio Roland Heise, ao G1.

Oito blindados chegarão ao país em caráter emergencial até junho e ficarão em Brasília, para a abertura Copa das Confederações – o Brasil enfrenta o Japão no dia 15, no Estádio Nacional.

“Pretendo estar com toda a tropa preparada e treinada para atuar com o novo sistema na abertura e no encerramento da Copa das Confederações e na visita do Papa, para garantir a segurança de quem estiver nos estádios”, disse.

“As duas baterias antiaéreas, com 16 carros cada uma, não virão imediatamente. Os oito primeiros queremos que cheguem rápido. Passarão por ajustes no Brasil para a Copa das Confederações. Os demais serão enviados até 2015”, acrescentou ele. Outros dois outros carros ficarão em uma escola militar, para instrução.

Os blindados Gepard 1A2 pesam 47,5 toneladas, possuem 7,7 metros de altura e 3,7 de comprimento. São equipados com dois canhões Oerlikon de 35 mm, que trabalham em conjunto um sistema de radares com campo de visão de até 15 km de raio. A fabricante informa que eles atingem alvos até 5,5 km de altura, mas, no Brasil, serão usados a baixa altitude (até 3 km).

O Exército informou oficialmente que o contrato será assinado “nos próximos dias (com o Ministério da Defesa da Alemanha), com base em valores que ainda estão sendo negociados”.

Em fevereiro, o vice-presidente, Michel Temer, assinou uma intenção de compra para adquirir um sistema de artilharia antiaérea da Rússia que tem capacidade de atingir alvos a até 15 km de altitude. O Brasil não tem atualmente esta tecnologia, que é uma exigência da Fifa para a Copa do Mundo. Em 2012, o G1 mostrou a situação do sucateamento do Exército, que possui armas antiaéreas da década de 70, classificados pelo general Heise na época como “defasados tecnologicamente”.

Pretendo estar com toda a tropa preparada e treinada para atuar com o novo sistema na abertura e no encerramento da Copa das Confederações, em junho, e na visita do Papa, em julho. Isso para garantir a segurança de quem estiver nos estádios, assegurar que nada vai acontecer”
General Márcio Heise,
da Brigada de Artilharia Antiaérea

Carros são usados e reformulados
Segundo o oficial, o valor da negociação só será divulgado após a assinatura do contrato. “Foi uma proposta muito boa que recebemos pela qualidade altíssima do material”, diz.

Notícias divulgadas pela imprensa alemã apontam que a oferta da empresa Krauss-Maffei Wegmann (KMW), que vende o sistema, seria de 30 milhões de euros (cerca de R$ 77 milhões). O representante da empresa no Brasil informou que, como a negociação é entre os Exércitos de Brasil e Alemanha, só iria se manifestar após a assinatura do contrato.

“Os carros foram reformulados, receberam novo sistema de radares e computadores, canhões de 35 mm e tecnologia de guiamento, que seguem o alvo mesmo se ele desviar. O Exército alemão iria o usar os blindados, mas a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) mudou algumas diretrizes em relação à defesa antiaérea e eles tiveram que deixá-los de lado”, afirmou o general.

Gepard, novo blindado com artilharia antiaérea do Exército (Foto: Exército/Divulgação)34 unidades serão compradas da Alemanha;
8 chegam até junho (Foto: Exército/Divulgação)

Em 15 de março deste ano, o Boletim do Exército publicou uma portaria aprovando critérios para a aquisição e implantação do sistema antiaéreo Gepard. O texto apresentava como argumentos para a compra a proteção das duas brigadas do país que abrigam blindados e também de estruturas estratégicas, como usinas hidrelétricas, e que seriam essenciais para uma eventual guerra.

Elas estão localizadas em Ponta Grossa (PR) e em Santa Maria (RS). Entre 17 e 20 de março, 20 militares já receberam instruções em Hardheim, na Alemanha, para conhecer as novas armas.

O documento do Exército cita o Gepard como “um sistema de armas autônomo e
altamente móvel, com alta prontidão operacional, pequeno tempo de reação e capaz de fazer frente a uma variada gama de ameaças”.

Em 2011, o Exército realizou um teste em Formosa (Goiás) para avaliar as capacidades dos canhões. “Nas nossas avaliações, ele foi o único que conseguiu destruir um aeromodelo na distância para o qual é habilitado”, argumentou o general Heise.

A oferta da KMW inclui ainda peças de reposição, suporte técnico, treinamento e transferência de tecnologia. Durante a Copa das Confederações e a visita do Papa, os blindados não ficarão “à vista do público”, mas serão colocados em locais estratégicos em que possam ter visão de possíveis alvos.

Gepard, novo blindado com artilharia antiaérea do Exército (Foto: divulgação)

Artilharia para a Copa
A compra dos equipamentos alemães não supre a necessidade do Brasil para a Copa, pois eles não possuem a capacidade de atingir alvos a até 15 km de altitude, uma das exigências da Fifa. Atualmente, o Brasil não possui esta capacidade.

Para ter uma ideia da importância da artilharia de médio alcance, todos os países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) têm esta capacidade de abate nesta altura. Nenhum na América Latina conta com o instrumento.

Em fevereiro, a presidente Dilma Rousseff recebeu em Brasília o primeiro-ministro da Rússia, Dmitri Medvedev, para negociar a aquisição deste sistema a médio alcance e uma carta de intenção de compra foi assinada. Brasil pretende comprar duas baterias antiaéreas do modelo Igla, de baixo alcance, e três do modelo Pantsir-S1, de médio alcance. O valor da negociação não foi informado pelo governo.

Segundo o general Heise, as negociações com a Rússia estão ainda em andamento. “A Copa do Mundo está em cima da hora, temos menos de um ano e meio para nos prepararmos, mas acredito que dará tempo para chegar tudo e prepararmos a tropa para operar os equipamentos”, disse ele.

Uma proposta para modernização do sistema brasileiro apresentada pelo Exército tinha o custo de R$ 2,354 bilhões. Contudo, o Livro Branco de Defesa Nacional, divulgado em 2012 pelo Ministério da Defesa, estimava em R$ 859,4 milhões a previsão de investimentos na área até 2023.

G1

Espanha se mostra otimista em vender aviões militares C-295 ao Brasil

Uma das aeronaves C295 (C-105 Amazonas) da Força Aérea Brasileira. (Foto: Airbus Military)

Uma das aeronaves C-295 (C-105 Amazonas) da Força Aérea Brasileira. (Foto: Airbus Military)

O secretário de Estado de Defesa da Espanha, Pedro Argüelles, afirmou nesta terça-feira que tem “muito boas perspectivas” de que seja fechado em breve um contrato para a venda ao Brasil de aviões militares C-295 do consórcio EADS CASA.

 

“Temos muito boas perspectivas para o C-295 no Brasil esperamos que possa incorporá-lo rapidamente”, disse Argüelles à Agência Efe durante a feira de defesa LAAD, que começou hoje no Rio de Janeiro.

Argüelles explicou que o EADS CASA venceu a licitação para fornecer estes aviões à Força Aérea Brasileira (FAB), mas o contrato ainda não foi assinado.

Os aviões apresentarão duas configurações, uma para vigilância aérea e outra para transporte, mas o secretário de Estado não revelou o número concreto de aeronaves.

Argüelles também afirmou ter “esperanças mais que fundamentadas” que se possa chegar a um entendimento com o Brasil no âmbito de satélites, para prestar serviços em telecomunicações, observação e a área militar.

Nesse campo, ele disse que a companhia Hisdesat tem “capacidade de sobra” para oferecer serviços em satélites militares e que o satélite Spainsat tem “a melhor posição orbital” possível, com uma cobertura plena do território brasileiro.

“As empresas espanholas estão muito motivadas, as oportunidades são muitas e algumas delas com um grau de maturidade que espero que, em algum momento não muito distante, possa nos dar alguma oportunidade”, declarou.

Argüelles deve se reunir hoje com o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, e amanhã se reunirá com o comandante da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto, além do secretário de Produtos de Defesa (Seprod), Murilo Marques Barboza.

A feira LAAD, considerada uma das maiores da América Latina, conta com a participação de delegações oficiais de 65 países e cerca de 700 expositores.

Fonte: EFE, via Cavok

LAAD: Rússia vai finalizar entrega dos Mi-35 para FAB no primeiro semestre de 2013

O AH-2 Sabre "FAB-8958" do 2°/8° GAV "Poti" exposto na área externa da LAAD. (Foto: Flávio Lins de Barros / Cavok)

O AH-2 Sabre “FAB-8958″ do 2°/8° GAV “Poti” exposto na área externa da LAAD. (Foto: Flávio Lins de Barros / Cavok)

A Rússia vai completar até o final do segundo trimestre a entrega dos 12 helicópteros de ataqueMi-35 (AH-2 Sabre) para Força Aérea Brasileira, através de um contrato de US$ 150 milhões, disse na quarta-feira o chefe do Serviço Federal de Cooperação Técnico-Militar (FSMTC).

 

“Até o momento, nove helicópteros foram entregues, e as outras três serão enviados no outono”, disse o diretor do FSMTC, Alexander Fomin, durante a Exposição de Defesa LAAD 2013, no Rio de Janeiro.

O Mi-35M é uma versão de exportação do Mi-24, que foi amplamente usado na guerra soviética no Afeganistão. No início do ano o jornal Valor Econômico relatou que o Mi-35 será utilizado na Amazônia, juntamente com as aeronaves de vigilância da empresa brasileira Embraer.

A Amazônia faz fronteira com a Venezuela e a Colômbia, e é a principal rota de narco-terroristas e traficantes de drogas.

Na quarta-feira, Fomin também disse que a Rússia tinha decidido colocar no Brasil o sistema SAM Pantzir-S1.

No mês passado, o Ministério da Defesa do Brasil declarou que quer comprar três baterias Pantzir-S1 e duas baterias de MANPADS Igla.

A versão de exportação do sistema Pantzir-S1 foi vendido para os Emirados Árabes Unidos, Síria e Argélia.

Na segunda-feira, um representante da Rosoboronexport disse que a Rússia e o Brasil estão em conversações sobre um possível desenvolvimento conjunto de sistema de mísseis anti-aéreos.

Cavok Com informações do amigo Rustam, direto da Rússia.

 

CAVOK

Embraer Defesa & Segurança inicia campanha de comercialização do jato de transporte militar KC-390

A Embraer afirma que sua nova aeronave KC-390 terá um preço bem competitivo. (Foto: Embraer)

A Embraer afirma que sua nova aeronave KC-390 terá um preço bem competitivo. (Foto: Embraer)

A Embraer Defesa & Segurança anunciou hoje, durante coletiva de imprensa na feira LAAD Defence & Security, o início das atividades de promoção e vendas do jato de transporte militar KC-390 no mercado.

 

A Embraer concluiu recentemente a Revisão Crítica do Projeto (CDR, do inglês Critical Design Review) com a Força Aérea Brasileira, demonstrando a maturidade do produto e o congelamento da configuração da aeronave, o que possibilitou o início da liberação de informações para a produção dos protótipos. A finalização desta importante fase do programa permitiu também congelar as especificações técnicas e estabelecer o preço e as condições de entrega, o que viabiliza o início da campanha comercial.

“O projeto tem avançado com firmeza e consistência e, agora que concluímos a CDR, estamos prontos para iniciar discussões com potenciais clientes da aeronave”, disse Luiz Carlos Aguiar, Presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança. ““Existe uma grande demanda de reposição de aeronaves antigas no mercado internacional”

“O KC-390 tem superado nossas expectativas e representará um ganho operacional significativo para a FAB”, disse o Comandante da Aeronáutica, Tenente-Brigadeiro Juniti Saito. “O excelente desempenho, a flexibilidade e a logística otimizada da aeronave serão decisivos para o aumento da eficiência no cumprimento da nossa missão”.

Concepção artística do KC-390 lançando cargas. (Foto: Embraer)

Concepção artística do KC-390 lançando cargas. (Foto: Embraer)

O KC-390 é o maior avião já construído pela indústria aeronáutica brasileira e estabelecerá um novo padrão para aeronaves de transporte militar de médio porte em termos de desempenho e capacidade de carga, além de contar com avançados sistemas de missão e de voo. Com capacidade de carga de 23 toneladas e velocidade máxima de cruzeiro de 465 nós (860 km/h), o KC-390 trará expressivos ganhos de mobilidade para seus operadores, reduzindo consideravelmente os tempos de missão.

Extremamente flexível, o KC-390 será capaz de cumprir missões de transporte logístico militar, realizar lançamento de cargas e paraquedistas, executar reabastecimento em voo de jatos e helicópteros, conduzir operações de busca e resgate e evacuação aeromédica, bem como apoio a missões humanitárias. Tudo isso numa única versão. O KC-390 oferece também o que há de mais moderno no mercado para aumentar a eficiência das missões operacionais, como uma aviônica integrada de última geração, um sistema de “fly-by-wire” que permite extrair a máxima capacidade da aeronave, um sistema de manejo de cargas que permite uma rápida reconfiguração entre diferentes missões e precisão no lançamento de cargas, além de um sistema de autoproteção de última geração. Além de todas estas capacidades, o KC-390 será uma aeronave fácil de manter, com maior tempo entre inspeções e menor tempo de aeronave parada para manutenção, oferecendo o menor custo do ciclo de vida da sua categoria.

 

Via Cavok

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